Uma resposta local à crise da habitação
Em Torres Vedras, a associação Habitare NaturaMente lançou um projecto que pretende aproveitar imóveis vazios para dar abrigo temporário a famílias que, de forma súbita, ficaram sem casa. O modelo agrupa a cedência de habitações por parte dos proprietários, a sua reabilitação mediante donativos e trabalho voluntário, e a posterior ocupação temporária por famílias em situação de vulnerabilidade.
O trabalho de recuperação já está a decorrer no número 28 da Rua Cidade de Torres Vedras, na freguesia da Ermegeira. As intervenções passam por rebocos, substituição de janelas e portas, e pinturas; tarefas executadas integralmente por voluntários da associação. A equipa que actualmente trabalha no imóvel é composta por seis mulheres voluntárias que assumem funções de construção e acabamento.
- Proprietários: cedem habitações devolutas, sem custos, por um período definido.
- Associação: coordena a reabilitação com donativos de empresas e trabalho de voluntariado.
- Famílias: beneficiam de alojamento temporário gratuito.
O projecto assenta numa lógica de «troca por troca»: a habitação é recuperada pela associação e disponibilizada a quem necessita, sendo devolvida ao dono findo o período acordado. No caso referido, foi celebrado um contrato de cedência pelo prazo de dois anos. Cada família pode permanecer na habitação durante um período máximo de três meses. A casa em recuperação tem capacidade para dois adultos e duas crianças, o que permite, segundo a organização, acolher até 32 pessoas ao longo da cedência, por ciclos de utilização.
| Item | Valor |
|---|---|
| Duração da cedência | 2 anos |
| Período máximo por família | 3 meses |
| Capacidade da habitação | 2 adultos + 2 crianças |
Os trabalhos de recuperação incluem tarefas técnicas — reboco, colocação de pladur, instalação de pavimentos flutuantes e pintura — e têm sido realizados por voluntárias com diferentes competências. Uma das participantes descreve a composição da equipa:
"Somos só mulheres, umas que sabem rebocar e partir parede, outras que pintam, que sabem pôr pladur, tejoleira ou piso flutuante."
O projecto está a aceitar novos voluntários e também apoios materiais de empresas locais para acelerar as obras. A associação sublinha a necessidade de aumentar a participação masculina no voluntariado, apontando uma discrepância na adesão entre géneros.
Impacto e limites do modelo
Para os residentes de Torres Vedras, a iniciativa representa uma resposta imediata e prática a situações de emergência habitacional que surgem fora dos circuitos formais de apoio social. Ao mesmo tempo, trata-se de uma solução de caráter temporário: as casas são devolvidas aos proprietários no fim do contrato, pelo que o projecto não cria soluções permanentes de habitação. A eficácia do modelo depende da continuidade das doações, do voluntariado e da disponibilidade de imóveis devolutos suficientes na cidade.
Os promotores do projecto consideram que este tipo de intervenção pode funcionar como medida complementar às políticas públicas, contribuindo para mitigar casos urgentes e fornecer um meio de transição enquanto as famílias procuram soluções mais estáveis.
Os interessados em colaborar como voluntários ou em ceder imóveis podem contactar a Habitare NaturaMente para obter mais informação sobre critérios de elegibilidade e modalidades de parceria.