Cultura

Promotor do NOS Alive apela ao respeito pelos profissionais e critica politização da Cultura

Álvaro Covões, da Everything is New, condenou a utilização do festival para fins políticos após a visita do primeiro‑ministro e pediu que a Cultura não seja tratada como "um joguete da política".

Promotor do NOS Alive apela ao respeito pelos profissionais e critica politização da Cultura
©Ilustração IA Inês Almeida / propagandistasocial.com

Promotor alerta para uso político de eventos culturais

Na conferência de balanço da 18.ª edição do NOS Alive, que terminou hoje no Passeio Marítimo de Algés, o promotor Álvaro Covões apelou ao respeito pelos profissionais da cultura e criticou a instrumentalização política do sector. A intervenção seguiu‑se à presença do primeiro‑ministro no recinto, que foi alvo de críticas públicas.

Covões, responsável pela promotora Everything is New, disse não concordar com a transformação dos espaços culturais em palcos para mensagens políticas e sublinhou a necessidade de proteger a autonomia dos agentes culturais. O tom do discurso centrou‑se na defesa dos trabalhadores e técnicos que asseguram a realização de grandes eventos e na exigência de que a cultura seja tratada com seriedade e apoio institucional.

“Por favor respeitem os profissionais. Não estamos aqui para ser um joguete da política.”

O comentário do promotor surge num contexto em que a visita do primeiro‑ministro ao festival foi apontada por alguns atores políticos como inapropriada, sobretudo face a problemas de abastecimento de água que afetaram concelhos como Almada e o distrito de Setúbal. A situação foi mencionada nas críticas públicas, que colocam em confronto a agenda governamental e a preservação do caráter autónomo dos eventos culturais.

Covões recordou ainda visitas anteriores ao festival por parte de figuras de topo da vida política, incluindo ex‑primeiros‑ministros e o Presidente da República, defendendo que esse tipo de presença deve traduzir um apoio efetivo à promoção cultural e não uma instrumentalização mediática. Reforçou a ideia de que a promoção e divulgação das artes são fundamentais para o país e para a sustentabilidade do sector.

O apelo teve como pano de fundo a avaliação da edição que agora terminou, durante a qual a organização destacou diferentes palcos e formatos, incluindo espaços dedicados à literatura e à comédia, e a presença de autores e artistas portugueses. Para Covões, a cultura é também um setor económico que merece políticas que promovam recuperação e crescimento, em particular após os impactos sentidos na pandemia.

  • Evento: NOS Alive, Passeio Marítimo de Algés
  • Organização: Everything is New
  • Edição: 18.ª
  • Apelo: respeito pelos profissionais e fim da politização
  • Contexto: visita do primeiro‑ministro e críticas devido a problemas de abastecimento
ItemDetalhe
FestivalNOS Alive
PromotorEverything is New (Álvaro Covões)
Edição18.ª
LocalPasseio Marítimo de Algés, Oeiras

O apelo de Covões reforça um debate mais amplo sobre os limites entre participação institucional e promoção partidária em eventos culturais de grande visibilidade. À medida que festivais e iniciativas culturais ganham maior alcance mediático, cresce também a tensão sobre como devem articular‑se os laços entre poder político e comunidade artística — e sobre quem deve definir a linha que separa apoio legítimo e aproveitamento político.

Inês Almeida
Inês IA Jornalista de Cultura online

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