Direito à cidade e prioridades para a próxima legislatura
Uma reflexão recente sobre a cidade aponta para a necessidade de transformar o espaço público de Coimbra numa «palco da nossa comunidade», centrando as intervenções nos residentes e na qualidade de vida. As linhas orientadoras apresentadas propõem uma estratégia para os próximos quatro anos que combina reabilitação urbana, mobilidade sustentável e valorização do Mondego.
O documento defende que o espaço público deixe de ser apenas um lugar de passagem e passe a ser pensado como local de encontro e bem‑estar, com intervenções dirigidas a tornar a cidade mais ecológica, de proximidade e orientada para as pessoas. Entre as medidas enunciadas figuram a criação de frentes ribeirinhas dinâmicas, a promoção de habitação e actividade económica voltadas para o rio e a implementação de grandes áreas verdes de lazer.
"O espaço público não pode continuar a ser apenas um lugar de passagem ou de escoamento de trânsito; tem de ser o palco da nossa comunidade, do encontro e do bem‑estar."
Num modelo que procura conciliar ambiente e mobilidade, a proposta assume que o Mondego deve tornar‑se «pulmão verde e azul» da cidade, com frentes ribeirinhas aptas para comércio, habitação e actividades culturais e desportivas. A ideia é transformar as margens em novos eixos de centralidade, contribuindo para a regeneração urbana e para a economia local.
Para aumentar a mobilidade sustentável, são sugeridos corredores verdes que interliguem bairros e incentivem percursos a pé e de bicicleta, bem como soluções de micromobilidade — bicicletas partilhadas e veículos ligeiros eléctricos — e sistemas mecânicos pedonais para vencer os desníveis da cidade. A proposta refere explicitamente a possibilidade de instalar escadas rolantes ao ar livre em pontos estratégicos, com referência ao exemplo de Vitoria‑Gasteiz.
- Frentes ribeirinhas: transformação em espaços de habitação, comércio e lazer.
- Corredores verdes: ligação entre bairros para promover a mobilidade suave e a biodiversidade.
- Micromobilidade: bicicletas partilhadas, veículos eléctricos e soluções mecânicas pedonais.
- Espaços para crianças: parques modernos e inclusivos em todas as freguesias.
- Gestão do automóvel: equilíbrio entre restrição do trânsito de passagem e garantia de acessibilidades aos residentes.
A proposta sublinha ainda a importância de não penalizar quem vive nas zonas centrais e históricas, defendendo medidas que garantam estacionamento exclusivo e facilidades de circulação para residentes. O objectivo anunciado é reduzir o trânsito de passagem sem comprometer a acessibilidade domiciliar.
| Medida | Objectivo |
|---|---|
| Requalificação das margens do Mondego | Criar frentes dinâmicas para habitação, comércio e lazer |
| Corredores verdes | Interligar bairros e promover mobilidade suave |
| Micromobilidade e escadas rolantes ao ar livre | Superar desníveis da cidade com baixas emissões |
| Parques infantis inclusivos | Garantir espaços seguros e acessíveis em todas as freguesias |
As propostas põem também a tónica na conciliação entre progresso ambiental e actividade económica local, defendendo que ambos devem caminhar «de mãos dadas». A narrativa insiste na ideia de que planeamento urbano orientado para as pessoas melhora a qualidade de vida e impulsiona inovação e comércio nas áreas reabilitadas.
Para os habitantes de Coimbra, as propostas trazem consequências práticas: alterações ao uso do solo junto ao rio, novos espaços públicos e de lazer, mudanças no regime de circulação em zonas históricas e investimentos em infra‑estruturas para micromobilidade. A implementação exigirá instrumentos de planeamento, financiamento e coordenação entre câmara, entidades públicas e comunidade local.
Como quadro de referência para a próxima legislatura, a proposta coloca o desafio de redesenhar a cidade com prioridades ambientais e sociais, com medidas que, se adotadas, terão impacto directo no quotidiano dos residentes e na imagem de Coimbra como cidade ribereira e centrada nas pessoas.