No encerramento do congresso da Federação Distrital de Portalegre do Partido Socialista, o secretário‑geral do partido, José Luís Carneiro, dirigiu duras críticas ao Governo e ao primeiro‑ministro, acusando‑os de «falhar» em áreas essenciais para as famílias e jovens portugueses.
Durante um discurso superior a 30 minutos, Carneiro centrou‑se sobretudo na avaliação escolar e na gestão dos exames, afirmando que o Executivo não esteve à altura num processo que determina o acesso ao ensino superior. Em tom de reprovação, disse também que o primeiro‑ministro não explicou formalmente às famílias as medidas em curso.
«Significa isto que o Governo, o primeiro‑ministro, falhou também numa área onde não podia falhar que é a área da avaliação dos nossos jovens que querem concorrer ao ensino superior»
O líder socialista acusou igualmente o Governo de ter provocado «caos» na classificação dos alunos e de ter promovido um enfraquecimento de serviços públicos, apontando a Direção‑Geral da Educação como um exemplo de entidades afectadas por políticas de desmantelamento.
Nos sectores da saúde e da habitação, José Luís Carneiro destacou promessas não cumpridas: recordou a garantia do Executivo de atribuir médicos de família a todos até dezembro de 2025 e considerou inaceitável o aumento do número de cidadãos sem médico de família, bem como a subida das listas de espera para cirurgias, incluindo as oncológicas. Citou um dado já público sobre a existência de 1 600 000 portugueses sem médico de família.
O teor das críticas alargou‑se à política económica do Governo, com referência à recusa de propostas do PS em matérias como habitação, o novo aeroporto de Lisboa e a privatização da TAP. Na sua intervenção, Carneiro enfatizou que o PS não age em benefício próprio, mas em defesa do interesse público.
Impacto local
Para o distrito de Portalegre, onde o congresso decorreu, as declarações do secretário‑geral têm duas implicações práticas: mobilizam a base partidária local para iniciativas de acompanhamento das promessas do Governo e colocam temas como a qualidade da educação e o acesso aos cuidados de saúde no centro do debate público distrital, influenciando prioridades de representação política junto das autoridades centrais.
- Educação: denúncia de falhas na avaliação e classificações dos exames;
- Saúde: críticas ao incumprimento na atribuição de médicos de família e ao aumento das listas de espera;
- Habitação e economia: insatisfação com a resposta do Governo a propostas alternativas do PS.
| Área | Acusação |
|---|---|
| Educação | Caos nas classificações dos exames; falha na comunicação oficial |
| Saúde | Mais pessoas sem médico de família; aumento das listas de espera |