O reitor da Universidade de Aveiro, Artur Silva, saudou a construção de residências privadas previstas em frente ao Hospital de Aveiro como um contributo para a capacidade de acolhimento na cidade, apesar de reconhecer que estes alojamentos poderão não ser financeiramente acessíveis para a maioria dos estudantes.
Mais camas, nem sempre mais acessíveis
Na explicação pública sobre a matéria, o reitor sublinhou que, embora as novas estruturas privadas não pertençam à instituição nem estejam vocacionadas para preços baixos, representam “mais camas disponíveis” para estudantes e investigadores que necessitam de estadia temporária em Aveiro. Referiu também que alguns elementos de grupos de investigação ligados à Universidade já optaram por alojar‑se fora do núcleo urbano estudantil, exemplificando a procura por alternativas como Avanca.
- As residências privadas foram anunciadas pela Câmara Municipal em janeiro de 2025.
- No âmbito do PRR estão previstas 421 novas camas universitárias, segundo dados conhecidos.
- O reitor defende medidas complementares, incluindo a integração de estudantes em lares de moradores locais.
“Existem seguramente estudantes que têm dificuldades, mas existem outros estudantes que têm capacidade de pagar outro tipo de valor […] Há mais disponibilidade”, afirmou o reitor.
A posição do reitor surge num quadro em que a autarquia de Aveiro, representada por vozes como a do presidente que sucedeu a José Ribau Esteves, opta por avaliar o impacto global das várias residências apenas aquando da conclusão dos projectos. Quando o anúncio foi feito, o então presidente da Câmara, José Ribau Esteves, rejeitou a ideia de intervenção sobre os preços praticados, afirmando que o mercado deve atuar livremente a menos que existam contratos públicos que o obriguem a outra lógica.
Entre os pontos práticos apontados por Artur Silva para mitigar pressões sobre o alojamento está a colaboração directa entre a Universidade e a Câmara para identificar moradores com capacidade e disponibilidade para acolher estudantes, prática já adotada por outras entidades no país.
| Actor | Posição |
|---|---|
| Universidade de Aveiro (reitor) | Vê mais oferta de camas, reconhece falta de acessibilidade generalizada |
| Câmara Municipal de Aveiro (anúncio em 2025) | Promove construção de residências privadas; avalia situação após conclusão |
| Antigo presidente (José Ribau Esteves) | Recusa controlo de preços pelo município; defende regras de mercado |
Para os estudantes e famílias de Aveiro, a leitura prática é dupla: aumenta a possibilidade de encontrar alojamento de curta duração, especialmente para investigadores visitantes, mas a pressão sobre a acessibilidade dos preços permanece. A evolução efetiva da crise habitacional no concelho deverá ser analisada quando todas as unidades previstas estiverem em funcionamento, deixando abertas questões sobre medidas complementares para garantir opções económicas a quem delas depende para estudar.