Reabilitação mantém memória e introduz linguagem contemporânea
Uma habitação do início do século XX em Santo Tirso foi alvo de uma recuperação que conjuga a preservação de elementos originais com um acréscimo contemporâneo. O projeto, designado Casa do Parque IV, foi desenvolvido para um casal com forte ligação à cultura e às experiências vividas na região do Médio Oriente, procurando traduzir essas referências na intervenção arquitetónica sem perder a autenticidade do edificado.
O edifício mantêm as paredes de pedra e os revestimentos cerâmicos existentes na fachada principal, enquanto as novas superfícies foram tratadas com tonalidades suaves e madeiras claras. No piso superior foi acrescentado um novo volume integralmente revestido a zinco, estabelecendo um diálogo entre a linguagem histórica e a contemporânea.
Em termos de distribuição interior, o piso térreo funciona como a principal área social e foi revestido a microcimento. Inclui ainda uma sala de cinema e uma zona expositiva dedicada aos prémios de um dos membros do casal, enquanto o piso superior se destina à zona privada da residência. A ligação entre os pisos é feita por uma escadaria de cor amarela que assume papel de elemento identitário no interior.
- Área total: cerca de 375 m2
- Elementos preservados: paredes de pedra, revestimentos cerâmicos e janelas originais
- Novos elementos: volume superior em zinco, piscina e recuperação de construção em ruína nos fundos
O projeto integrou ainda nos fundos do terreno uma antiga construção em ruína, recuperada e incorporada na nova configuração, e instalou uma piscina cujo paredão lateral se destaca pela cor verde intensa.
| Característica | Valor |
|---|---|
| Área aproximada | 375 m2 |
| Materiais preservados | Pedra e cerâmica originais |
| Material do novo volume | Zinco |
O atelier responsável pela intervenção é o Ricardo Azevedo Arquiteto. Na explicação do processo, o responsável sublinha a centralidade das pessoas no desenvolvimento do projeto, indicando que a obra foi pensada atentamente para refletir os hábitos e memórias dos futuros moradores.
"o processo começa sempre com as pessoas"
Para os munícipes de Santo Tirso, este tipo de intervenção tem implicações práticas e simbólicas: demonstra que é possível conciliar reabilitação do património com soluções contemporâneas que respondem a exigências de conforto e fruição cultural; valoriza o parque edificado do concelho; e pode servir de referência para futuras intervenções de reabilitação urbana.
Fica também a nota para a aposta em materiais e cores que dialogam com o contexto e para a inclusão de espaços expositivos domésticos, que reforçam a componente cultural da morada e podem potenciar iniciativas ou visitas pontuais ligadas à actividade artística dos moradores.