Declarações do presidente da Câmara e reacção do PS concelhio
O debate público sobre o abastecimento de água entre Seixal e Almada voltou a acentuar-se depois de declarações do presidente da Câmara Municipal do Seixal, Paulo Silva (CDU), que vincou a existência de captações em território seixal utilizadas pelo município vizinho. A posição do autarca suscitou uma nota crítica do Partido Socialista do Seixal, que apelou à contenção e à cooperação técnica entre as autarquias, quando milhares de habitantes enfrentam problemas de acesso à água.
Na sua intervenção, o presidente da Câmara afirmou que «93% dos furos utilizados por Almada para captação de água se encontram em território do Seixal, concretamente na freguesia de Corroios», e defendeu que essa realidade condiciona a hipótese de novas captações por parte de Almada. Paulo Silva acrescentou ainda que o município tem feito investimentos para reforçar redes no concelho e sugeriu que deveria existir compensação financeira por parte de Almada pela utilização das infraestruturas.
«Num momento em que milhares de famílias enfrentam dificuldades no acesso a um bem essencial, exige-se responsabilidade pública, coordenação técnica e solidariedade entre autarquias».
Esta frase integra o comunicado do PS Seixal, subscrito pelo presidente da concelhia, Samuel Cruz, que rejeita a leitura do autarca. O PS considera que a narrativa que aponta Almada como responsável por “capturar” água no Seixal é «hostil, tecnicamente redutora e inútil» para a resolução imediata das falhas de abastecimento que afetam munícipes.
- Reivindicação central de Seixal: existência de furos usados por Almada em Corroios (com a referência de 93%).
- Posição do PS: apelo à coordenação técnica e solidariedade, crítica às declarações públicas que possam gerar conflito institucional.
- Impacto local: preocupação com a garantia imediata e sustentável do abastecimento às famílias.
O confronto verbal entre os responsáveis camarários coincide com um período de constrangimentos no abastecimento que, segundo o PS, exige respostas rápidas e técnicas mais do que posições polarizadas. Do lado do Seixal, a referência a investimentos em novas condutas e à existência de um litígio judicial sobre a passagem de infraestruturas demonstra que a questão tem também uma componente jurídica e financeira entre municípios.
Para os residentes do concelho, as principais implicações são práticas: a necessidade de soluções que minimizem cortes e racionamentos, a transparência sobre a origem das captações e o planeamento de investimentos que garantam rede e reservatórios suficientes. A intensificação da disputa política pode dificultar acordos técnicos se não for acompanhada de iniciativas de mediação e partilha de informação entre as autarquias e a entidade gestora do abastecimento.
| Alegação | Posição/Resposta |
|---|---|
| Seixal (Paulo Silva): 93% dos furos usados por Almada em Corroios; pedido de compensações e referência a investimentos locais. | PS Seixal: considera a narrativa hostil, pede coordenação técnica e solidariedade, rejeita que acusações públicas solucionem falhas de abastecimento. |
O futuro próximo exige clareza técnica: cartografia das captações, acordos formais sobre uso e pagamento de infraestruturas e um plano coordenado entre Seixal, Almada e os operadores do sistema para proteger o abastecimento das populações, sobretudo nas zonas mais vulneráveis do concelho.