O movimento independente Setúbal de Volta respondeu esta semana ao comunicado do Partido Socialista, rejeitando as críticas ao executivo municipal e desafiando os vereadores socialistas a transformar em iniciativas concretas as medidas defendidas em campanha. Na nota enviada às redações, o movimento acusa o PS de privilegiar o confronto político em vez da apresentação de propostas sujeitas ao escrutínio público.
Passados nove meses desde o início do mandato, o Setúbal de Volta afirma que a atuação do PS se tem centrado em «críticas, insinuações e ataques pessoais», e lembra que a oposição tem o dever de colocar propostas formais em reunião de Câmara para que possam ser analisadas tecnicamente e financeiramente.
“Chamar ‘estagiários’ a autarcas eleitos pelo povo não é fazer oposição, mas sim desrespeitar a decisão democrática dos setubalenses”, afirmou José Canavarro, deputado municipal pelo Setúbal de Volta.
O movimento confronta ainda os socialistas com exemplos de medidas promovidas em campanha que consideram populistas e que, segundo o comunicado, agora aparentam «causar vergonha» ao PS. Entre as propostas que o Setúbal de Volta exige ver formalizadas em reunião de Câmara estão a construção de passadiços na Arrábida e a gratuidade do passe Navegante para todos. O pedido inclui que cada proposta seja acompanhada da respetiva fundamentação técnica, do impacto financeiro e da demonstração de viabilidade, para permitir o escrutínio público.
Na resposta ao PS, o movimento aborda também matérias como a limpeza urbana, sublinhando que a manutenção da via pública é competência das juntas de freguesia — autarquias que incluem três lideradas pelo Partido Socialista. O Setúbal de Volta aponta, por isso, uma alegada incoerência nas críticas dirigidas à Câmara Municipal nesta área.
O que está em disputa
O confronto entre o executivo municipal e a oposição centra-se em dois eixos: a forma do debate político — com acusações de insultos verbais — e o conteúdo das políticas locais, com pedidos de documentação técnica que permitam avaliar custos e benefícios das propostas eleitorais. Para além da limpeza urbana, o movimento refere iniciativas como uma eventual auditoria, sem, no entanto, detalhar no comunicado novos pedidos formais.
- Demandas do Setúbal de Volta: apresentação formal em reunião de Câmara das propostas de campanha.
- Exigências: fundamentação técnica, estimativa financeira e demonstração de viabilidade.
- Tema de fundo: reclamação sobre o tom das críticas e defesa da legitimidade dos eleitos.
O pedido de transformação de promessas eleitorais em propostas formais coloca o foco na transparência e na responsabilização política: sem documentação que suporte as medidas, o debate corre o risco de permanecer no registo retórico. Para os munícipes, a questão prática será saber quem assume responsabilidades por serviços como a limpeza das ruas e como serão financiadas eventuais medidas de abrangência municipal, como a gratuitidade do passe Navegante.
| Assunto | Posição do Setúbal de Volta |
|---|---|
| Passadiços na Arrábida | Desafio para apresentação com fundamentação técnica e financeira |
| Passe Navegante gratuito | Exigir demonstração de viabilidade e custos |
| Limpeza urbana | Recorda competências das juntas de freguesia, incluindo três lideradas pelo PS |
O confronto público em curso vai provavelmente obrigar ambas as partes a clarificar posições e a formalizar propostas na agenda camarária, onde poderão ser sujeitas à análise técnica e orçamental. Até lá, permanece a exigência do Setúbal de Volta: que o PS deixe as insinuações de lado e traga para o plenário as medidas com que pretende alterar a gestão do concelho.