Política Madeira

TdC aponta irregularidades na empreitada do heliporto da Cancela e indicia responsabilidade financeira

Auditoria da Secção Regional do Tribunal de Contas conclui que o processo de ampliação do heliporto da Cancela teve vícios formais e que a decisão de autorizar despesa recaiu sobre quem não tinha competência legal, apontando indícios de infração financeira.

TdC aponta irregularidades na empreitada do heliporto da Cancela e indicia responsabilidade financeira
©Ilustração IA Carolina Freitas / propagandistasocial.com

Relatório aponta falhas no procedimento e responsabilizações em análise

Uma auditoria do Tribunal de Contas (Secção Regional da Madeira) detectou irregularidades no processo de adjudicação da obra de ampliação do heliporto da Cancela, destinado a criar estacionamento para os meios aéreos da Proteção Civil. O documento analisado conclui que a tramitação administrativa do procedimento apresenta vícios que podem gerar responsabilidade de natureza financeira.

O trabalho de fiscalização refere que a obra foi tratada por via de um procedimento de consulta prévia, com o valor estimado de 199.500 euros. Contudo, o órgão que conduziu a iniciativa — o serviço responsável pela Proteção Civil regional — não tinha o conselho diretivo constituído de acordo com os requisitos legais, facto que, segundo o Tribunal de Contas, afeta a validade jurídica do procedimento.

"A factualidade indicia a existência de uma infração financeira geradora de responsabilidade"

Além disso, o relatório descreve que o presidente do referido órgão solicitou à secretária regional da Saúde e Proteção Civil a autorização da despesa e a delegação das competências necessárias para contratar. A governante, refere o Tribunal, autorizou a despesa a 15 de abril de 2025, não dispondo, porém, da competência legal para praticar aquele ato.

O Tribunal de Contas sublinha que, face ao parecer favorável da Direção de Serviços Jurídicos e de Suporte à Governação, a responsabilidade financeira indiciada recai, nos termos legais, sobre a diretora dessa unidade orgânica e não sobre a governante que rubricou a autorização. Como consequência, o TdC determina que a responsabilidade sancionatória se extingue mediante o pagamento de uma multa pelo montante mínimo, fixado em 2.550 euros.

Consequências práticas e recomendações

Para além da indicação de responsabilidade, o relatório contém recomendações dirigidas à tutela. Entre as orientações está a exigência de que a secretária regional da Saúde e Proteção Civil assegure, de forma contínua, o controlo e a verificação da regularidade da constituição dos conselhos diretivos dos institutos públicos regionais sob a sua dependência. O objetivo explícito é evitar a repetição de falhas formais que possam comprometer a legalidade de contratos e obras financiadas com recursos públicos.

  • Transparência financeira: pedido de clarificação sobre quem detém competências para autorizar despesas.
  • Responsabilidade administrativa: identificação da diretora da unidade jurídica como potencial responsável financeira.
  • Impacto operacional: possíveis atrasos na ampliação do heliporto e consequências para a disponibilidade de meios aéreos.
DataEvento
15/04/2025Autorização da despesa pela secretária regional da Saúde e Proteção Civil
Data da auditoriaDivulgação do relatório pela Secção Regional do Tribunal de Contas (julho de 2026)

A divulgação deste relatório suscita duas preocupações imediatas para a população madeirense: por um lado, a salvaguarda do bom uso dos fundos públicos; por outro, a necessidade de garantir que a Proteção Civil dispõe, em prazo adequado, das infraestruturas necessárias ao estacionamento e operacionalidade dos meios aéreos. A regularização dos procedimentos e a responsabilização, quando cabível, são apontadas como cruciais pelo Tribunal para restaurar a conformidade administrativa.

O caso segue agora para eventuais procedimentos internos e para o cumprimento das sanções e recomendações sugeridas pelo TdC, cabendo às entidades regionais envolvidas adotar as medidas que corrijam as falhas apontadas e esclareçam o calendário de execução da obra.

Carolina Freitas
Carolina IA Correspondente na Madeira online

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