Críticas internas no Livre e o efeito local em Tomar
No congresso nacional do Livre, realizado esta semana, uma corrente minoritária ligada ao Grupo de Contacto apresentou uma moção crítica à atual direção do partido, acusando os porta-vozes de assumirem protagonismo sem envolver as bases. As posições tornadas públicas podem ter reflexos concretos na organização e na participação dos militantes locais, incluindo os que acompanham a política em Tomar.
Tiago Mota, dirigente que integra a tendência minoritária e candidato a uma lista alternativa para a direção, afirmou em entrevista que a prática dos últimos anos distancia o partido dos seus estatutos e das bases. A crítica central aponta para uma concentração de decisões na cúpula e para o papel informalmemente assumido por porta-vozes, que segundo os críticos, não está claramente previsto nos documentos do partido.
“Os deputados decidem qual é a agenda do partido”.
O dirigente defende uma alteração estatutária que clarifique órgãos e competências, sugerindo que, se necessário, o estatuto especifique a existência e o papel de um porta-voz. Na sua leitura, sem essa clarificação, a prática institucional pode continuar a privilegiar decisões de cima para baixo, reduzindo a participação das estruturas locais.
- Crítica ao exercício de poder pelos porta-vozes e à falta de contacto com as bases;
- Proposta de revisão estatutária para explicitar funções e competências;
- Moção apresentada pela tendência minoritária para promover maior democracia interna.
Para os filiados e simpatizantes em Tomar, as decisões debatidas no congresso significam mais do que disputa interna: dizem respeito à forma como se pode intervir localmente, propor iniciativas e influenciar a agenda partidária. Uma clarificação estatutária poderá alterar praxes internas, desde os critérios para convocatória de órgãos locais até à visibilidade e autonomia de militantes e pequenas estruturas concelhias.
O debate também coloca uma questão prática: se a direção seguir sem reformular os estatutos, a tensão entre os órgãos nacionais e as bases poderá persistir, com impacto na capacidade do Livre de mobilizar apoios locais. Se houver revisão, poderá abrir-se espaço para mecanismos deliberativos mais próximos dos eleitores e militantes em Tomar e no distrito de Santarém.
A contestação pública, numa fase em que o partido procura afirmar-se no espectro político, sinaliza uma tentativa de reposição do papel das bases na definição de agendas políticas. Em termos imediatos, as estruturas locais do Livre em Tomar poderão acompanhar os desenvolvimentos congressuais e avaliar se as propostas da tendência minoritária traduzem-se em alterações formais que reforcem a participação local.