O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terá sugerido que Gianni Infantino, atual presidente da FIFA, poderia ser o próximo secretário‑geral das Nações Unidas, sucedendo ao português António Guterres, cujo mandato termina em dezembro. A informação foi avançada pelo New York Post e divulgada em várias agências internacionais.
Uma indicação inusitada e com implicações diplomáticas
Segundo o relato, a ideia foi acolhida com entusiasmo por Paolo Zampolli, enviado especial de Donald Trump, que defendeu a escolha como «genial» e elogiou a experiência de Infantino na gestão de uma organização com centenas de membros. Zampolli frisou uma lógica prática: tanto na ONU como na FIFA é preciso tratar com muitos Estados‑Membros.
"Na ONU, é preciso lidar com 193 Estados‑Membros. Na FIFA, há mais de 200 membros [e] o excelente percurso do Gianni [Infantino] mostra que ele sabe como gerir"
A nomeação para secretário‑geral exige, porém, que um candidato seja proposto por pelo menos um Estado‑Membro das Nações Unidas. Depois da apresentação das candidaturas, o processo prevê avaliação pelo Conselho de Segurança — onde a recomendação requer pelo menos 9 votos a favor e nenhum veto dos cinco membros permanentes — e votação final pela Assembleia Geral, composta por 193 Estados‑Membros, por maioria simples.
- Origem da proposta: Informação avançada pelo New York Post.
- Defesa pública: Paolo Zampolli, enviado especial de Trump, defendeu Infantino como candidato competente.
- Procedimento formal: Candidatura depende de nomeação por um Estado‑Membro e de aprovação pelo Conselho de Segurança e Assembleia Geral.
Aspectos práticos e simbolismo
Para além das perguntas políticas sobre a aceitabilidade de um líder desportivo à frente de uma organização multilateral, a proposta chama a atenção também para diferenças salariais entre os cargos — um facto que o próprio texto original salientou como curiosidade.
| Cargo | Remuneração anual (aprox.) |
|---|---|
| Presidente da FIFA | 6 milhões de dólares |
| Secretário‑geral da ONU | 418 mil dólares |
Se a sugestão de Trump fosse transformada em candidatura formal, Infantino teria primeiro de ser indicado por um Estado‑Membro e depois enfrentar o escrutínio diplomático habitual. A proposta instaurou já um debate sobre qualificações, imagem e prioridades para a liderança da ONU, enquanto levanta também questões sobre a relação entre política, desporto e diplomacia contemporânea.
Independentemente dos desdobramentos, trata‑se de uma notícia que liga a figura de um dirigente do futebol mundial a um dos postos mais sensíveis da governação global, e que, por envolver António Guterres, desperta particular atenção em Portugal.