Denúncia centra-se em proximidade pública entre Infantino e Donald Trump
A Organização Não Governamental Fair Square apresentou formalmente uma queixa junto da Comissão de Ética do Comité Olímpico Internacional (COI) contra o presidente da FIFA, Gianni Infantino. O documento alega que o dirigente terá infringido regras de neutralidade política previstas na Carta Olímpica ao demonstrar apoio político em repetidas ocasiões ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Infantino é membro do COI desde 2020 e, ao assumir tal estatuto, comprometeu-se a atuar de forma independente de interesses políticos e comerciais. A denúncia da Fair Square sustenta que esse compromisso terá sido violado por declarações e actos públicos que apontam para um alinhamento com posições ou iniciativas do Presidente norte-americano.
Factos apontados pela queixa
- Participação de Infantino num evento promovido por Trump descrito como o "Conselho da Paz";
- Aparecimento do dirigente com um boné com as inscrições "USA" e "45-47", interpretação ligada aos mandatos do Presidente dos EUA;
- Alegada intervenção política relacionada com a revisão de uma sanção aplicada ao jogador Folarin Balogun na sequência de uma partida do Mundial 2026.
"A Fair Square apresentou hoje uma queixa contra o presidente da Fifa, Gianni Infantino, ao Comitê Olímpico Internacional. A queixa alega que Infantino violou repetidamente as regras do COI sobre neutralidade política ao oferecer seu apoio político ao presidente dos EUA, Donald Trump", afirmou a ONG em comunicado.
Na denúncia, a organização refere a existência de indícios que, segundo o seu parecer, configuram pelo menos cinco violações claras das regras do COI sobre neutralidade política, bem como indícios de outras duas infrações consideradas graves. A Fair Square pede que o COI avalie estes factos e aplique as medidas previstas caso se comprovem as transgressões.
Potenciais consequências e âmbito da investigação
Se o Comité Olímpico Internacional concluir que houve infração ao dever de neutralidade, o presidente da FIFA pode ficar sujeito a sanções definidas no código de ética do COI. A natureza dessas medidas varia consoante a gravidade das violações apuradas e o enquadramento disciplinar que a Comissão de Ética decidir aplicar.
| Item | Descrição |
|---|---|
| Membro do COI | Gianni Infantino — desde 2020 |
| Queixa | Apresentada pela ONG Fair Square à Comissão de Ética do COI |
| Violação alegada | Atos ou declarações que afectariam a neutralidade política prevista na Carta Olímpica — cinco violações apontadas |
| Incidentes citados | Participação em evento associado a Trump; uso de boné com inscrições; alegada influência na revisão disciplinar sobre Folarin Balogun |
O teor e a prova dos episódios referidos — nomeadamente a existência de influência indevida em procedimentos disciplinares da FIFA — serão objeto de avaliação pelo COI. A própria FIFA reafirmou, em ocasiões anteriores, o funcionamento independente dos seus órgãos disciplinares, mas a denúncia traz agora para a esfera do movimento olímpico uma acusação formal que pode redundar em inquérito.
Para actores do desporto e observadores institucionais, o desfecho terá importância para a credibilidade das regras de neutralidade política no desporto internacional e para a clarificação dos limites entre relações pessoais, compromissos institucionais e actuações públicas de responsáveis com dupla filiação a organismos desportivos.
O processo seguirá os trâmites internos do COI, ficando por esclarecer o calendário de análise da Comissão de Ética e o eventual impacto imediato nas funções que Infantino exerce, tanto na FIFA como no próprio Comité Olímpico.