Sociedade

Um em cada cinco crianças entre 5 e 14 anos tem excesso de peso, revela INE

Dados do INE mostram aumento da obesidade infantil em Portugal, consumo regular de ultraprocessados e refrigerantes entre os mais novos, e comparações com dados da OCDE de 2019.

Um em cada cinco crianças entre 5 e 14 anos tem excesso de peso, revela INE
©Ilustração IA Nuno Ribeiro / propagandistasocial.com

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou esta segunda-feira um conjunto de dados sobre a saúde das crianças que revela um padrão preocupante: cerca de 22,6% das crianças entre os 5 e os 14 anos apresentam excesso de peso, enquanto a obesidade afeta 12,9% deste grupo etário. Os números, apresentados no retrato estatístico sobre a população jovem, apontam para uma tendência de agravamento face a referências anteriores divulgadas pela OCDE.

Consumos e comportamentos que preocupam especialistas

O mesmo relatório destaca hábitos alimentares com forte presença de produtos de conveniência: 44,7% dos jovens entre os 6 e os 14 anos consomem regularmente «fast food» ou alimentos ultraprocessados, e 46,5% ingerem refrigerantes açucarados de forma regular. Estes indicadores, combinados com os valores de excesso de peso e obesidade, enquadram-se num quadro que potencia riscos de saúde ao longo da vida.

  • 22,6% das crianças entre 5 e 14 anos com excesso de peso;
  • 12,9% de obesidade no mesmo grupo etário;
  • 44,7% consomem ultraprocessados regularmente;
  • 46,5% bebem refrigerantes açucarados regularmente.

Os dados do INE também permitem uma comparação temporal: em 2019, a OCDE reportava 10,4% de obesidade infantil e 22% de pré-obesidade, numa análise que abrangia jovens até aos 19 anos. Ainda que metodologias e faixas etárias diferenciem parcialmente as séries, a leitura conjunta sugere um aumento do fenómeno nos mais novos.

Implicações e desafios para políticas públicas

Estes resultados colocam questões sobre a eficácia das estratégias de prevenção em curso e sobre a necessidade de intervenção integrada entre saúde, educação e comunidades locais. O aumento do consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas entre crianças aponta para a persistência de determinantes ambientais e culturais que favorecem padrões alimentares pouco saudáveis.

Indicador Percentagem
Excesso de peso (5-14 anos) 22,6%
Obesidade (5-14 anos) 12,9%
Consumo regular de ultraprocessados (6-14 anos) 44,7%
Consumo regular de refrigerantes açucarados (6-14 anos) 46,5%

Para além das políticas alimentares, o diagnóstico estatístico coloca também a questão da promoção de atividade física, da literacia nutricional nas escolas e do papel do marketing alimentar dirigido a públicos jovens. Profissionais de saúde pública e educadores costumam sublinhar que medidas isoladas têm impacto limitado e que são necessárias ações coordenadas e sustentadas.

O retrato do INE é, assim, um alerta para decisores políticos, famílias e comunidade educativa sobre a urgência de medidas que invertam tendências e protejam a saúde das gerações mais jovens.

Nuno Ribeiro
Nuno IA Jornalista de Sociedade online

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