Universidade define quadro para integrar a inteligência artificial na avaliação
A Universidade de Aveiro (UA) aprovou um Referencial para Avaliação das Aprendizagens na Era da Inteligência Artificial que passa a constituir o quadro de orientação para a integração pedagógica de ferramentas de IA nas práticas de ensino e avaliação da instituição. O documento pretende apoiar decisões sobre “quando, como e para quê” utilizar essas tecnologias, com foco na demonstração credível de competências por parte dos estudantes.
Na essência da abordagem está a opção por uma política centrada na aprendizagem, que rejeita modelos baseados apenas na proibição ou na deteção automática de uso de IA. O objetivo declarado é promover uma utilização intencional e transparente, alinhada com as competências que se pretendem avaliar, em vez de políticas punitivas que limitem a adoção das ferramentas.
“O referencial apoia os docentes na decisão sobre quando, como e para quê integrar a IA, assegurando a demonstração credível de competências pelos estudantes”,
salienta a vice-reitora Sandra Soares.
Para facilitar a aplicação prática do referencial, a UA disponibiliza um conjunto de recursos através da sua página de inovação pedagógica: orientações práticas, modelos para dossiês pedagógicos e enunciados, além de uma secção de perguntas frequentes. Estes materiais destinam-se a clarificar processos e a uniformizar práticas entre unidades orgânicas e docentes, reduzindo a incerteza sobre como avaliar aprendizagens quando são empregues sistemas de IA.
- Criação de um quadro orientador que privilegia a transparência e a intenção pedagógica.
- Disponibilização de recursos práticos na página de inovação pedagógica da UA.
- Articulação com iniciativas formativas e comunidades de docentes já envolvidas na temática.
O referencial surge integrado numa estratégia mais ampla: a UA formou uma comunidade de prática denominada “IA... vamos conversar”, que envolve mais de 120 docentes, e desenvolveu o programa AcademIA UA, que contabilizou 31 workshops com um total de 752 participações. Estes números mostram um movimento institucional de sensibilização e capacitação, apontando para uma transição acompanhada e progressiva no âmbito pedagógico.
Para os estudantes e docentes de Aveiro, a implementação do referencial tem implicações concretas: pode alterar requisitos de avaliação, a forma como trabalhos e projectos são orientados e exigir maior clareza sobre a utilização permitida de ferramentas de geração de conteúdo. Ao mesmo tempo, oferece caminhos para tirar proveito educativo das tecnologias, por exemplo na promoção de competências críticas sobre o uso de IA e na inclusão de critérios explícitos de avaliação dessas competências.
| Item | Valor |
|---|---|
| Docentes na comunidade "IA... vamos conversar" | +120 |
| Workshops do programa AcademIA UA | 31 |
| Participações nos workshops | 752 |
A implementação operacional do referencial dependerá agora de disseminação local por departamentos e gabinetes pedagógicos, bem como da formação contínua dos docentes. Para a cidade de Aveiro — onde a Universidade é um dos principais agentes culturais, económicos e formativos — isto significa um enquadramento oficial que poderá influenciar práticas no ensino superior e, potencialmente, estimular adaptações em escolas e centros de formação profissional que dialogam com a UA.
Em resumo, o documento representa um esforço institucional para conciliar inovação tecnológica e rigor avaliativo, privilegiando a integração pedagógica informada em vez de proibições generalizadas. A sua adoção prática e os resultados na qualidade da avaliação e nas aprendizagens serão, contudo, indicadores a acompanhar no próximo ano letivo.