O projeto europeu SELF (Solo Entrepreneur Learning Framework) encerrou oficialmente no dia 30 de abril de 2026, com o Instituto Superior de Contabilidade e Administração da Universidade de Aveiro (ISCA‑UA) a atuar como parceiro representante em Portugal. A iniciativa focou‑se na promoção do conceito de solopreneurship, isto é, na criação e desenvolvimento de actividades económicas geridas por um único profissional, uma abordagem que ganhou força após a pandemia e que passa a ser apresentada como via relevante para a integração dos jovens no mercado de trabalho.
Três pilares para transformar ensino e prática
O manifesto final do projeto — referido como Manifesto SELF — defende que as universidades devem evoluir de espaços essencialmente teóricos para facilitadoras de ecossistemas práticos. Para esse efeito, o documento estruturaliza a proposta em três pilares centrais:
- Ensino híbrido: integração de empreendedores reais (freelancers e fundadores) como coeducadores nas aulas;
- Imersão estruturada: experiências de shadowing, em que alunos acompanham profissionais no seu dia a dia;
- Ação baseada em desafios: teste de ideias de negócio em ambientes de baixo risco.
Como exemplo prático desse método, o projeto destacou os chamados “estudos de caso vivos”, nos quais os estudantes acompanham, durante várias semanas, dilemas empresariais reais e observam a gestão da incerteza e a tomada de decisões por parte do empreendedor.
| Pilar | Objectivo |
|---|---|
| Ensino híbrido | Trazer experiência prática para a sala de aula através de profissionais |
| Imersão estruturada | Permitir acompanhamento profissional directo (shadowing) |
| Ação por desafios | Testar ideias reais em contexto de baixo risco |
Legado digital e inclusão
O grande legado técnico do projeto é o SELF Digital Warehouse, um repositório de Recursos Educativos Abertos (REA). Esses materiais podem ser descarregados, adaptados e utilizados livremente, desde que a fonte seja citada, o que facilita a disseminação das metodologias desenvolvidas pelo consórcio. A plataforma foi concebida com uma política de inclusão reforçada e segue padrões internacionais de acessibilidade, nomeadamente as directrizes WCAG 2.1 AA, garantindo que as ferramentas formativas sejam utilizáveis por um público amplo. Entre os pormenores técnicos mencionados consta uma fonte ajustada para melhoria da leitura, pensada para apoiar a acessibilidade.
Para os estudantes e instituições do distrito de Aveiro, a participação do ISCA‑UA traduz‑se numa oportunidade para incorporar práticas de formação mais próximas do mercado, potenciando competências empreendedoras individuais e alternativas de inserção profissional que não dependem exclusivamente de modelos tradicionais de emprego.
O encerramento formal do projeto marca o início da fase de circulação e adopção dos recursos produzidos. Cabe agora às universidades, aos centros de ensino profissional e aos agentes locais avaliar e integrar essas ferramentas nos seus percursos pedagógicos, de modo a facilitar a transição dos diplomados para actividades profissionais independentes e sustentáveis.