Seis meses depois das intempéries que afetaram o centro de Portugal, pelo menos 25 pessoas continuam desalojadas em vários concelhos dos distritos de Leiria e de Lisboa. As administrações locais reportam realojamentos temporários em habitações municipais, apoios familiares e candidaturas em análise para ajudas públicas destinadas a reparar danos nas habitações.
Situação nos concelhos mais afetados
No concelho de Alcobaça, no distrito de Leiria, persistem três pessoas fora das suas residências: uma família encontra-se instalada numa habitação municipal e duas outras famílias estão a viver em casas de familiares enquanto aguardam intervenções de recuperação. De acordo com a autarquia, uma das famílias já acionou o seguro da habitação.
Em Óbidos há registos de famílias acomodadas provisoriamente em instituições locais: uma mãe e duas filhas permanecem num espaço do Centro Social e Cultural para o Desenvolvimento do Olho Marinho, enquanto um homem idoso vive numa habitação cedida por um familiar.
No distrito de Lisboa, o concelho de Arruda dos Vinhos concentra a maioria das pessoas ainda desalojadas — com a autarquia a indicar que 15 indivíduos permanecem alojados temporariamente em habitações municipais ou na casa de familiares. Em Cadaval estão, por sua vez, seis pessoas em situação de realojamento temporário.
- Alcobaça: 3 desalojados; uma família realojada pela câmara.
- Óbidos: famílias instaladas em apoio social local e alojamento cedido por familiares.
- Arruda dos Vinhos: 15 pessoas em alojamentos provisórios.
- Cadaval: 6 pessoas alojadas temporariamente.
Apoios, candidaturas e obstáculos
Os municípios informam que foram submetidas várias candidaturas a apoios públicos destinados a particulares afetados pelas intempéries. Em alguns concelhos houve aprovações e pagamentos parciais, noutros processos aguardam decisão ou foram indeferidos por excederem os limites definidos para a ajuda estatal.
Exemplos reportados:
| Concelho | Candidaturas (reportadas) | Apoios aprovados / pagos (reportados) |
|---|---|---|
| Nazaré | 192 candidaturas | 85 aprovadas; 245.000€ aprovados (160.000€ pagos) |
| Caldas da Rainha | 201 candidaturas (92 deferidas, 109 indeferidas) | 305.000€ aprovados |
| Bombarral | 48 candidaturas | 118.000€ validados (95.000€ pagos) |
| Arruda dos Vinhos | 79 candidaturas | 67 aprovadas — 435.000€ |
As autarquias alertam para limitações do mecanismo de apoio: algumas famílias não conseguiram candidatar-se por terem prejuízos superiores aos tetos estabelecidos pelas linhas de financiamento estaduais. Outros processos permanecem pendentes da avaliação técnica do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, cuja análise é determinante para definir soluções de reabilitação e segurança das habitações.
Impacto e próximos passos
Para além da questão imediata do alojamento, a demora nas avaliações e nas obras tem efeitos práticos na vida comunitária: alguns proprietários enfrentam custos que não são cobertos pelos apoios disponíveis e muitos proprietários agrícolas expressaram constrangimentos relacionados com acessos e circulação nas vias afetadas pelas cheias.
As autarquias sublinham a necessidade de agilidade nas respostas técnicas e financeiras, lembrando que a reabilitação de habitações e a reposição plena da mobilidade rodoviária são essenciais para a retoma normal das rotinas locais. Enquanto decorrem processos de candidatura e avaliações, as câmaras mantêm soluções temporárias de alojamento e acompanhamento social às famílias afetadas.
Os moradores que pretendam obter informação sobre candidaturas e apoios devem contactar as respectivas juntas de freguesia ou serviços municipais de ação social, que centralizam os procedimentos e atualizam os prazos de pagamento e as decisões administrativas.