Nova associação reclama estudos independentes e «respeito» pelas populações
A criação da Associação Pelo Futuro do Alto Alentejo (APFAA) trouxe um novo impulso à contestação local em torno da decisão do Governo de instalar um campo de tiro da Força Aérea no concelho de Alter do Chão. A APFAA interpõe-se ao anúncio feito pelo Ministério da Defesa Nacional em março, exigindo transparência e análises independentes antes de qualquer avanço do projeto.
Os responsáveis da associação consideram que a intervenção não se prende apenas a Alter do Chão, mas poderá atingir directamente os concelhos vizinhos — Crato, Fronteira e Monforte — com efeitos que, na sua avaliação, vão além da esfera militar. Em causa estão preocupações ligadas à agricultura, ao turismo e à dinâmica socioeconómica do território.
“Transparência, estudos independentes e respeito”
João Pratas, porta‑voz da APFAA, sintetiza a posição da associação quanto ao impacto esperado: considera-o um “impacto brutal” para a agricultura local e classifica as consequências para o território como “tremendamente negativo”.
- Exigência de estudos independentes antes de qualquer decisão;
- Preocupação com efeitos sobre agricultura e turismo;
- Alerta para a abrangência do projecto além de Alter do Chão.
O anúncio do Ministério da Defesa, feito a 11 de março pelo então titular da pasta, indicou Alter do Chão como a localização escolhida para transferir as valências do actual campo de tiro de Alcochete, que terá de sair dessa área devido à construção do novo aeroporto Luís de Camões. O comunicado ministerial não especificou o local exacto no concelho nem clarificou limites territoriais precisos da nova instalação, apenas referindo uma dimensão aproximada da valência: 7.500 hectares.
| Elemento | Dados conhecidos |
|---|---|
| Local indicado | Alter do Chão |
| Concelhos apontados pela APFAA | Crato, Fronteira, Monforte |
| Área referida pelo Ministério da Defesa | 7.500 hectares |
Para os habitantes e agentes económicos regionais, as dúvidas sobre a localização exacta e sobre os estudos ambientais e de impacto social são centrais. A APFAA pede que sejam tornados públicos os elementos técnicos que suportem a decisão, incluindo avaliações sobre ruído, segurança, uso do solo e eventuais restrições à actividade agrícola e turística.
Esta movimentação surge num contexto de crescente sensibilidade local relativamente a projetos com grande pegada territorial. A reivindicação por transparência e por processos de decisão participados sinaliza uma tentativa de envolver as comunidades afetadas desde a fase inicial, condicionando assim o calendário e as modalidades de implantação do eventual campo de tiro.
Perante a falta de dados precisos sobre o traçado e os limites da instalação, a posição pública da APFAA deverá aumentar a pressão sobre as autoridades para que clarifiquem o dossier e apresentem estudos independentes que permitam avaliar de forma objectiva os riscos e os benefícios para o território.
Enquanto não houver informação adicional das entidades governamentais, a incerteza mantém‑se e a contestação local prepara‑se para acompanhar e exigir participação ativa em qualquer processo futuro de decisão.