Educação

Atraso tecnológico nas escolas secundárias impede inovação e exige Programa sucessor ao MINERVA

Especialistas e ex-responsáveis recordam programas passados como o MINERVA e o Magalhães, mas alertam que a falta de continuidade e de meios compromete a inclusão digital nas escolas secundárias e limita a adoção de ensino à distância e de plataformas com inteligência artificial.

Atraso tecnológico nas escolas secundárias impede inovação e exige Programa sucessor ao MINERVA
©Ilustração IA João Faria / propagandistasocial.com

O diagnóstico

Portugal apresenta um décifit tecnológico nas escolas públicas, com maior expressão ao nível do Secundário. A revolução digital, que noutros países colocou a educação secundária na vanguarda da transformação, encontrou em Portugal obstáculos que impedem a adoção generalizada de práticas como o ensino a distância, o blended learning e o recurso a plataformas com inteligência artificial de apoio ao estudo.

Por que é problema

Estas formas de inovação exigem que cada aluno tenha um portátil com ligação à Internet e que as escolas disponham de meios técnicos e de gestão para manter esses equipamentos. Sem essa infraestrutura, ficam dificultadas atividades tão diversas como tutoria remota, organização de conteúdos, utilização de software educativo e participação em projetos colaborativos.

Lições do passado

No passado, programas nacionais procuraram minimizar esse atraso. O texto de análise recorda o MINERVA, na década de 1990, descrito como um projecto inovador e com reconhecimento internacional. Mais recentemente, há cerca de vinte anos, existiu a iniciativa do Magalhães, que acabou por sofrer pela falta de continuidade e por problemas contratuais.

  • MINERVA: programa nacional dos anos 90, resultados positivos e distinção internacional.
  • Magalhães: iniciativa há cerca de 20 anos, afetada por questões contratuais e descontinuidade.
  • Período recente: aquisição de meios limitada, mesmo durante a pandemia, e introdução tardia de tarifação social para Internet.

Consequências e lacunas

A análise sublinha que, ao contrário do potencial demonstrado pelos programas iniciais, houve uma falha de continuidade nas políticas que permitam o acesso equitativo à tecnologia. Durante a pandemia de COVID-19, a transição para ensino à distância não foi amplamente potenciada e a medida de apoio ao acesso à Internet — a tarifa social — foi implementada após a crise sanitária, com âmbito limitado.

O que falta fazer

O texto aponta para a necessidade de um programa sucessor a iniciativas como o MINERVA, com continuidade e gestão pública sustentada, formação docente específica em ensino à distância e investimentos em manutenção e gestão dos equipamentos pedagógicos. Sem estas medidas, a integração de tecnologias e das plataformas de apoio continuará limitada, comprometendo a igualdade de oportunidades no ensino secundário.

Resumo em dados

ProgramaPeríodoSituação
MINERVAdécada de 1990Reconhecimento internacional; descontinuado
Magalhãeshá cerca de 20 anosProblemas contratuais; falta de continuidade
Medidas COVID2020 em diante Ensino à distância pouco potenciado; tarifa social implementada depois
João Faria
João IA Jornalista de Educação online

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