Anthropic adota identificação digital para textos e imagens gerados pelo Claude
A Anthropic, empresa responsável pelo modelo de linguagem Claude, anunciou que vai começar a identificar conteúdos processados pelos seus modelos através de marcas d'água invisíveis e de metadados de procedência. A mudança foi tornada pública no início da semana e tem como gatilho as exigências de transparência previstas na nova Lei de Inteligência Artificial da União Europeia, mas a empresa declarou que aplicará o mecanismo a nível global.
Segundo a empresa, a marca d'água será incorporada aos textos gerados pelos próximos modelos e é desenhada para ser legível por máquinas sem alterar o significado ou a aparência do conteúdo. A Anthropic afirma ainda que o sinal pode permanecer mesmo depois de o texto ser copiado e colado noutras plataformas ou sofrer edições ligeiras.
Metadados de procedência e o padrão C2PA
Para além da marca d'água textual, a tecnologia incluirá metadados em ficheiros de imagem — nomeadamente nos formatos PNG, JPG e SVG. Esses registos seguirão o padrão aberto C2PA, já utilizado por empresas tecnológicas e meios de comunicação para documentar a origem e o historial de conteúdos digitais.
| Tipo de ficheiro | Identificação prevista |
|---|---|
| Texto | Marca d'água invisível legível por máquinas |
| PNG / JPG / SVG | Metadados de procedência seguindo C2PA |
A Anthropic indicou que a identificação será integrada nos modelos lançados a partir de 2 de agosto de 2026 na União Europeia. Apesar de a obrigatoriedade estar ligada ao quadro regulatório europeu, a empresa optou por estender a tecnologia a todos os utilizadores fora do bloco comunitário.
O que a marca d'água comunica (e o que não comunica)
A presença da marca não configura, por si só, prova de autoria exclusiva do modelo. A Anthropic sublinha que o sinal indica apenas que o conteúdo pode ter sido processado pela inteligência artificial — o que inclui casos em que a IA foi usada unicamente para traduzir, resumir, rever ou padronizar um texto original humano. Por outro lado, a ausência da marca também não garante que um material foi inteiramente produzido sem recurso a IA: conteúdos gerados por versões anteriores do modelo, textos muito curtos ou materiais sujeitos a edições extensas podem não transportar a identificação.
- Medida visa conformidade com a Lei de IA da UE.
- A identificação inclui marcas invisíveis nos textos e metadados em imagens.
- Aplicação será global, embora o gatilho legal seja europeu.
Para editores, reguladores e utilizadores, a iniciativa coloca questões práticas: como interpretar sinais automáticos de processamento por IA em contextos de responsabilidade editorial; que ferramentas serão necessárias para detetar e verificar marcas; e de que forma a presença dessas etiquetas afectará a confiança e a moderação de conteúdos. A interoperabilidade com padrões abertos, como o C2PA, poderá facilitar auditorias e rastreabilidade, mas não elimina a necessidade de políticas claras por parte das plataformas que redistribuem texto e imagem.
O anúncio da Anthropic surge num momento em que a União Europeia avança na regulamentação de ferramentas de inteligência artificial e em que provedores procuram equilibrar conformidade legal, privacidade e usabilidade. A implementação prática — nomeadamente a eficácia da marca d'água em cenários de edição intensiva ou transformação de formatos — será determinante para avaliar o alcance real da medida.