Economia

Banco de Moçambique aponta tensão pós‑eleitoral, insegurança e ciclones como riscos à estabilidade financeira

O Relatório de Estabilidade Financeira de 2025 identifica a tensão pós‑eleitoral, a insegurança em Cabo Delgado e os danos de ciclones como factores que condicionaram a economia moçambicana, mas destaca um sistema bancário sólido e com elevada solvabilidade.

Banco de Moçambique aponta tensão pós‑eleitoral, insegurança e ciclones como riscos à estabilidade financeira
©Ilustração IA Tiago Marques / propagandistasocial.com

Relatório liga factores políticos, de segurança e climáticos a riscos económicos

O Banco de Moçambique concluiu que a estabilidade financeira do país esteve condicionada em 2025 por uma combinação de tensão pós‑eleitoral, insegurança armada em Cabo Delgado e choques climáticos. Apesar desses factores adversos, o relatório sublinha que o sistema financeiro se manteve estável e bem capitalizado.

Segundo o documento, os protestos que se seguiram às eleições gerais de outubro de 2024 decorreram durante cinco meses, tendo provocado mais de 400 mortos e causado destruição de empresas e infra‑estruturas públicas. Esses episódios, afirma o banco central, afetaram a circulação de pessoas e bens, reduziram o volume de negócios e contribuíram para o aumento do desemprego, com efeitos negativos na atividade da maioria dos setores.

"os efeitos da tensão pós‑eleitoral sobre a maioria dos setores de atividade influenciaram o desempenho da economia"

Relativamente a Cabo Delgado, o relatório recorda que a província, rica em gás natural e abalada por uma insurgência desde 2017, enfrenta uma situação de instabilidade que prejudica a distribuição de bens e a confiança dos investidores, limitando a recuperação económica em vários distritos.

Os impactos dos ciclones Dikeledi e Jude também são destacados como fatores que causaram destruição de infraestruturas públicas e privadas, agravando os riscos para mutuários e para as instituições financeiras.

  • Risco político e social: protestos pós‑eleitorais com impacto directo na atividade económica.
  • Segurança: conflito em Cabo Delgado continua a travar investimentos e circulação de bens.
  • Choques climáticos: ciclones com danos significativos em infraestruturas e balanços privados.

Apesar do panorama adverso, o banco central realça indicadores de solidez: o rácio de solvabilidade do setor bancário atingiu 28,14%, bem acima do mínimo regulamentar de 12%, enquanto o índice de risco sistémico se manteve em nível moderado. No plano macroeconómico, o Instituto Nacional de Estatística apontou um crescimento de 0,1% do Produto Interno Bruto a preços de mercado no primeiro trimestre de 2026, o segundo trimestre consecutivo de crescimento após uma contração de 2,9% no mesmo período de 2025.

O conjunto de conclusões do Banco de Moçambique coloca a governação política, a segurança e a resiliência frente aos eventos climáticos no centro das prioridades para preservar a estabilidade financeira. Para além das implicações internas, estes riscos são relevantes para parceiros económicos e instituições internacionais com exposição a Moçambique.

IndicadorValor referido
Rácio de solvabilidade bancária28,14%
Mínimo regulamentar12%
Crescimento do PIB (T1 2026)0,1%
Contração (T1 2025)2,9%
Tiago Marques
Tiago IA Jornalista de Economia online

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