A governação chinesa incluiu a fibra ótica de núcleo oco nas tecnologias estratégicas prioritárias do plano industrial para os próximos cinco anos, numa decisão que visa orientar investimentos e acelerar a adoção desta solução em redes de comunicação e centros de dados. A tecnologia, que substitui o núcleo sólido de sílica pelo ar como meio de propagação da luz, promete reduzir a latência e ampliar a capacidade de transmissão — características valorizadas por aplicações de inteligência artificial e computação de alto desempenho.
O que distingue a fibra de núcleo oco
Ao permitir que a luz percorra predominantemente o ar, a fibra de núcleo oco reduz perdas e aproxima a velocidade de transmissão ao limite teórico da luz. Numa explicação técnica destacada pela fonte, a nova fibra pode reduzir o tempo de transmissão em cerca de um terço face às fibras convencionais, contornando limitações físicas que hoje travam novos ganhos de desempenho nas redes de fibra óptica tradicionais.
Testes e deployment comercial
Os testes em ambiente real já estão em curso. A China Mobile lançou em 2024 um projecto experimental com aproximadamente 18 km de fibra de núcleo oco em Wuxi, que, após quase dois anos de monitorização, demonstrou perda óptica estável e compatibilidade com ligações a fibras convencionais. Paralelamente, fabricantes chineses relatam implementações comerciais e pilotos em várias regiões do mundo.
- A YOFC diz ter aplicado a tecnologia em mais de 10 projectos comerciais e pilotos na Ásia, Europa e Américas.
- Foi referida uma ligação de 100 km entre Guangdong e Hong Kong, descrita como a maior rota comercial deste tipo de fibra.
- A Hengtong Optic-Electric testou a solução em servidores com GPUs NVIDIA H100 e afirma estar pronta para produção em larga escala.
Desafios de padronização
Apesar das demonstrações e das rotas comerciais anunciadas, a adopção em escala alargada enfrenta desafios técnicos e industriais. A principal questão apontada é a necessidade de padronização para garantir interoperabilidade entre equipamentos e fabricantes: reduzir perdas nas junções entre fibras distintas e estabelecer normas para a transmissão de dados são passos necessários para que a tecnologia seja amplamente integrada nas redes existentes.
| Entidade | Desenvolvimento |
|---|---|
| China Mobile | Projecto experimental de ~18 km em Wuxi, perdas estáveis |
| YOFC | Mais de 10 projectos comerciais/pilotos globais; rota de 100 km Guangdong–Hong Kong |
| Hengtong | Testes com servidores equipados com NVIDIA H100; afirma prontidão para produção em larga escala |
Do ponto de vista estratégico, a inclusão da fibra de núcleo oco no plano quinquenal mostra que a China pretende consolidar uma cadeia de valor própria para tecnologias críticas de rede, potenciando tanto a produção local como a exportação de soluções. Para operadores e centros de dados, a promessa de reduzir latência e aumentar capacidade torna esta tecnologia atraente, sobretudo para aplicações sensíveis ao tempo de resposta, como treino e inferência de modelos de IA em larga escala.
Nos próximos anos, o ritmo de adopção dependerá tanto dos resultados adicionais dos testes em produção como da rapidez com que organismos de normalização e consórcios industriais conseguirem definir especificações técnicas que garantam interoperabilidade entre equipamentos de diferentes fabricantes. Até lá, as experiências chinesas servem de indicador para operadores e decisores em todo o mundo sobre o potencial e os obstáculos desta nova geração de fibra óptica.