Uma vaga sem emprego à altura
Este ano, a China contabilizou 12,7 milhões de novos licenciados, um aumento de 480 mil face a 2025. O acréscimo recorde assinala uma pressão inédita sobre o mercado de trabalho e lança dúvidas sobre a capacidade do sistema económico de absorver uma geração altamente qualificada.
Taxa de desemprego juvenil e mudanças académicas
A taxa de desemprego entre jovens de 16 a 24 anos está em 15,6%, um valor comparável à média da União Europeia (15,1%). Paralelamente, as universidades chinesas têm vindo a reconfigurar ofertas: cursos nas áreas das artes, humanidades e línguas são reduzidos, enquanto disciplinas ligadas às novas tecnologias são privilegiadas, numa tentativa de alinhar formação e procura.
Impacto humano e social
Relatos pessoais ilustram a frustração de muitos licenciados. Uma jovem que estudou Contabilidade em Xangai partilhou:
“Tem sido muito mais difícil do que eu imaginava.”
O relato sublinha que o problema não é apenas encontrar emprego, mas obter posições com condições laborais aceitáveis, fins de semana livres e segurança social.
Dados que mostram dimensão
Desde 2022 que mais de 10 milhões de licenciados se somam ao mercado de trabalho chinês, um contingente próximo da população total de Portugal. As sondagens nas redes sociais, como o Xiaohongshu, apontam para taxas elevadas de desemprego entre recém-graduados: em inquéritos citados, grande parte dos respondentes relatou estar sem trabalho desde a graduação.
- 12,7 milhões de licenciados em 2026
- 15,6% taxa de desemprego jovem (16-24 anos)
- Reorientação académica para áreas tecnológicas
Consequências para a tecnologia e para Portugal
Para o sector tecnológico, esta dinâmica implica maior concorrência por talento qualificado e uma possível aceleração na internacionalização de profissionais. Empresas portuguesas que competem globalmente poderão encontrar tanto oportunidades (maior oferta de talento) como desafios (diferenças nas expectativas salariais e de condições). Para o ensino superior, a situação reforça a necessidade de ligação mais estreita entre universidades e mercado, programas de requalificação e políticas activas de emprego para jovens.
O que fica por responder
Resta saber até que ponto a aposta em cursos tecnológicos resolverá o desemprego estrutural ou apenas deslocará o desequilíbrio para novas áreas. As autoridades chinesas enfrentam o desafio de conjugar crescimento económico, criação de empregos de qualidade e alinhamento da formação com competências reais exigidas pelo mercado.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Licenciados em 2026 | 12,7 milhões |
| Aumento face a 2025 | 480 mil |
| Desemprego jovem (16–24 anos) | 15,6% |
| Média UE (referência) | 15,1% |