Comissário europeu pede cautela e avisa para «não toquem no nosso desporto»
O anúncio da FIFA sobre a criação de uma nova estrutura comercial para atrair capital privado ao Mundial suscitou hoje uma reação crítica da Comissão Europeia. Glenn Micallef, comissário europeu responsável, entre outras áreas, pelo desporto, considerou que as propostas da entidade presidida por Gianni Infantino poderão conduzir a uma comercialização excessiva do futebol e a problemas no âmbito do direito da concorrência.
"Não toquem no nosso desporto"
Na sua publicação nas redes sociais, o comissário maltês comprometeu a Comissão a analisar "com o máximo cuidado" a proposta da FIFA, invocando as competências que lhe são conferidas pelos tratados. A iniciativa da federação internacional prevê a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária que agregaria os direitos comerciais da organização e que seria oferecida em partes a investidores privados, sem lhes conferir controlo.
A operação anunciada pela FIFA aponta para a angariação de até 4,2 mil milhões de dólares através da venda de participações minoritárias numa estrutura avaliada inicialmente em 20 mil milhões de dólares. A receita visada destinaria, segundo a própria FIFA, a reforçar o programa de desenvolvimento do futebol, multiplicando os apoios financeiros às federações-membro.
- Criação da FIFA Forward Enterprise (FFE) para gerir direitos comerciais
- Captação prevista: 4,2 mil milhões de dólares junto de investidores privados
- Valoração inicial da FFE: 20 mil milhões de dólares
Impactos anunciados sobre financiamento e infraestrutura
Segundo a proposta, os fundos permitiriam elevar o financiamento por federação no ciclo 2027-2030 de um patamar atual para 20 milhões de dólares, com aumentos projetados para 22 milhões (2031-2034) e 24 milhões (2035-2038). Além disso, a FIFA planeia lançar o programa FIFA Fast-Forward, que facultará, de forma voluntária, até 20 milhões de dólares adicionais por federação para projetos específicos, incluindo estádios e centros de treino.
| Item | Valor |
|---|---|
| Captação prevista | 4,2 mil milhões de dólares |
| Valoração da FFE | 20 mil milhões de dólares |
| Financiamento por federação (2027-2030) | 20 milhões de dólares |
| Financiamento por federação (2031-2034) | 22 milhões de dólares |
| Financiamento por federação (2035-2038) | 24 milhões de dólares |
Apesar das garantias da FIFA de que continuará a deter o controlo das questões de governação, calendário e regulamento das competições, a proposta suscitou objeções de federações, dirigentes e até figuras históricas do futebol. O debate coloca em evidência tensões entre a necessidade de financiar o desenvolvimento do futebol a nível global e os riscos associados à entrada de capital privado em competições de dimensão planetária.
A iniciativa depende agora da aprovação da maioria das 211 federações-membro e do Conselho da FIFA. Do lado da Comissão Europeia, a promessa de escrutínio coloca no centro da discussão não só o futuro económico da principal competição de futebol, mas também nuances legais e de concorrência que poderão ter repercussões além do desporto.