Apelo por maior articulação institucional
Em Maputo, durante o lançamento da primeira etapa da Rede Lusófona de Mentoria Paralímpica, o presidente do Comité Paralímpico de Portugal (CPP) sublinhou a necessidade de uma maior convergência entre os movimentos olímpico e paralímpico em países lusófonos. A formação, apoiada pelo Comité Paralímpico Internacional (IPC), vai congregar cerca de 30 atletas, treinadores e dirigentes moçambicanos em ações técnicas e de gestão.
«Tudo é desporto», afirmou o responsável
"Eu não tenho a opinião que tenhamos o desporto das pessoas que não têm qualquer tipo de deficiência e depois o desporto das pessoas com deficiência. O que nós temos é desporto. Tudo é desporto"
A declaração do dirigente português serve de base à proposta de integração: em vez de tratar as modalidades paralímpicas como um universo separado, defende-se que estas façam parte de uma estratégia comum, tanto do ponto de vista institucional como comunicacional. O exemplo citado foi a experiência em Portugal, onde as estruturas olímpicas e paralímpicas passaram a surgir sob a marca "Equipa Portugal", preservando, porém, a identidade própria de cada organismo.
Formação prática e objetivos
A ação que arranca em Maputo inclui capacitação nas modalidades de atletismo, boccia e powerlifting, ministrada por técnicos do CPP. O programa de mentoria destina-se não só a atletas em atividade, mas também a potenciais praticantes, treinadores e dirigentes, com vista ao reforço de competências técnicas, organizacionais e de gestão no movimento paralímpico.
- Participantes: cerca de 30 atletas, treinadores e dirigentes;
- Modalidades: atletismo, boccia, powerlifting;
- Objetivo: capacitação técnica e fortalecimento institucional no espaço lusófono.
Consequências e perspetivas
O apelo do CPP aponta para efeitos práticos: uma maior articulação entre estruturas pode acelerar o crescimento do movimento paralímpico nos países de língua portuguesa, alargando a prática entre pessoas com deficiência e criando condições mais favoráveis para quem ambiciona o alto rendimento. A intenção é que a partilha de know-how e a coordenação institucional permitam ganhos em formação, recrutamento e competitividade.
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Iniciativa | Rede Lusófona de Mentoria Paralímpica |
| Financiamento | Comité Paralímpico Internacional (IPC) |
| Participantes | ~30 atletas, treinadores e dirigentes |
| Modalidades | Atletismo, Boccia, Powerlifting |
Para além do apoio técnico, a experiência pretende incentivar abordagens de comunicação e de planeamento estratégico que promovam maior visibilidade e sustentabilidade das modalidades paralímpicas. O mote é claro: não se trata de esvaziar identidades, mas de potenciar sinergias para benefício do conjunto do sistema desportivo.
Num contexto em que muitos países lusófonos enfrentam limitações logísticas e de recursos para desenvolver programas regulares destinados a pessoas com deficiência, iniciativas desta natureza podem funcionar como catalisadores de mudança, criando redes de cooperação e fontes de formação contínua.
A formação em Maputo constitui, assim, um passo prático numa estratégia mais vasta destinada a reduzir assimetrias no desporto adaptado entre nações lusófonas, com implicações para a inclusão social e para a competitividade internacional destes atletas.