Casais aplica modelo industrializado em obra de Beja e reduz significativamente trabalhadores em obra
O recurso a métodos de construção industrializada permitiu à construtora Casais executar uma residência estudantil em Beja deslocando para a obra apenas 100 trabalhadores, quando um processo tradicional teria requerido cerca de 300. A redução para um terço da mão‑de‑obra em obra foi evocada hoje pelo presidente executivo do Grupo, António Carlos Rodrigues, num almoço‑debate em Lisboa sobre a temática da industrialização no sector.
“o mesmo trabalho em menos horas”
Segundo o gestor, o modelo passa por intensificar o trabalho de projecto e a digitalização antes da montagem, o que reduz improvisos no estaleiro e diminui a dependência de mão‑de‑obra pouco especializada. A Casais sublinha que a montagem em ambiente controlado proporciona maior precisão, menor necessidade de alterações em obra e melhores condições de segurança para os trabalhadores.
Na prática, a opção industrializada envolve fases claras de preparação e fabrico em ambiente de oficina, seguidas por montagem no local. Para os habitantes e empresas locais, estas alterações têm efeitos concretos:
- redução do tempo de execução no local e menor impacto das obras no centro urbano;
- menor exposição dos trabalhadores a condições climáticas adversas e risco laboral reduzido;
- maior procura por profissionais qualificados em fabrico e montagem e menos necessidade de mão‑de‑obra indiferenciada em obra.
O CEO da Casais afirmou igualmente que, com os níveis actuais de mão‑de‑obra, o modelo permite "triplicar a capacidade de resposta" da empresa, perspectiva que tem implicações para a capacidade da indústria nacional concorrer a grandes empreitadas. António Carlos Rodrigues advertiu que, sem um ecossistema industrial e investimento em tecnologia, as empresas portuguesas correm o risco de ficar fora de grandes concursos, como os previstos para infraestruturas estratégicas.
Para a comunidade de Beja, a implementação desta técnica na construção de uma residência estudantil pode traduzir‑se numa obra mais rápida, menos perturbadora para a cidade e com requisitos diferentes ao nível do recrutamento local. Contudo, a transição pressupõe investimento em formação e em processos digitais, elementos que as empresas terão de desenvolver em parceria com entidades de formação e autoridades.
| Parâmetro | Construção tradicional | Construção industrializada (Casais, Beja) |
|---|---|---|
| Número de trabalhadores em obra | ~300 | 100 |
| Foco | Trabalho no estaleiro | Preparação digital e montagem |
| Vantagens principais | Menor investimento inicial em fábrica | Maior precisão, segurança e produtividade |
Apesar dos ganhos apresentados, a mudança para um modelo mais industrializado implica desafios: necessidade de financiamento inicial, adaptação de cadeias de fornecimento e estratégias de formação para captar profissionais qualificados. Para Beja, a adaptação deste tipo de processos pode abrir oportunidades económicas locais, nomeadamente em serviços ligados à montagem, logística e formação técnica.
Os responsáveis da Casais defendem que sem modernização o sector terá dificuldades em responder tanto à escassez de mão‑de‑obra como ao aumento dos preços dos materiais. A experiência na cidade alentejana serve como exemplo prático das vantagens e dos requisitos de uma transição que, segundo a empresa, se impõe para garantir competitividade em futuras obras de grande escala.