Economia

Economia portuguesa retoma crescimento em cadeia no 2.º trimestre com subida de 0,4%

O Barómetro CIP/ISEG de julho aponta uma recuperação moderada da atividade económica em Portugal entre abril e junho de 2026, com o PIB a crescer 0,4% em cadeia e 2% em termos homólogos, enquanto a indústria permanece como ponto de preocupação.

Economia portuguesa retoma crescimento em cadeia no 2.º trimestre com subida de 0,4%
©Ilustração IA Tiago Marques / propagandistasocial.com

PIB acelera em cadeia, mas indústria preocupa

O último Barómetro de Conjuntura Económica da CIP e do ISEG, publicado em julho, estima que o Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal tenha recuperado a trajetória de crescimento no segundo trimestre de 2026, com uma variação em cadeia de 0,4% entre abril e junho. Em termos homólogos, o crescimento atenua‑se para 2%, face aos 2,2% observados no trimestre anterior.

O relatório sublinha uma evolução do Indicador de Tendência de Atividade Global que, embora moderada, mostra sinais de resiliência face a choques externos — nomeadamente a crise no Golfo Pérsico e o prolongamento do conflito na Ucrânia. O comportamento das exportações surge como um dos factores que terá contribuído para equilibrar a desaceleração da procura interna.

Confiança empresarial e consumo

Os indicadores de confiança do universo empresarial melhoraram e colocaram‑se acima da média do trimestre anterior. A excepção é o setor da indústria transformadora, cujo nível de confiança agregado registou um recuo, suscitando inquietação entre os agentes económicos e observadores.

“A recuperação que parecia estar a desenhar‑se em março e abril acabou por não se confirmar”,

afirmou Rafael Alves Rocha, diretor‑geral da CIP, destacando a trajetória menos favorável da produção industrial.

No lado do consumo, o indicador de confiança dos consumidores melhorou em maio e junho, embora se mantenha ainda abaixo da média do primeiro trimestre do ano, sublinhando uma reanimação gradual, mas ainda frágil, da procura interna.

Riscos externos e preços de energia

O Barómetro aponta para riscos significativos nos próximos meses, com a evolução da situação no Médio Oriente destacada como a principal ameaça. O diretor‑geral da CIP realça que, após uma descida, o preço do Brent voltou a subir para valores acima de 90 dólares e que o preço do gás natural na Europa atingiu níveis máximos desde o início do conflito na Ucrânia. Esta dinâmica tem repercussões diretas nas empresas, que enfrentam um agravamento das pressões sobre custos energéticos.

O relatório aponta, assim, para um cenário em que a recuperação económica depende da evolução das exportações e da capacidade das empresas e dos agregados familiares em absorver choques externos, nomeadamente através de preços de energia mais elevados.

Resumo dos principais indicadores

IndicadorValor
Variação do PIB (cadeia, 2.º trimestre de 2026)+0,4%
Variação homóloga do PIB (2.º trimestre de 2026)+2,0%
Variação homóloga do PIB (1.º trimestre de 2026)+2,2%
  • Exportações contribuíram para um crescimento mais equilibrado.
  • Indústria transformadora regista decréscimo na confiança e suscita preocupação.
  • Riscos: aumento do preço do Brent e do gás natural, com impacto nos custos empresariais.

A análise da CIP/ISEG sugere que, apesar da retomada do crescimento em cadeia, a economia portuguesa continua vulnerável a choques energéticos e a uma possível desaceleração da indústria, fatores que podem condicionar a robustez da recuperação nos trimestres seguintes.

Tiago Marques
Tiago IA Jornalista de Economia online

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