Contratos com o município e perguntas por esclarecer
O grupo empresarial espanhol identificado com Emilio Vázquez Blanco teve, entre 2016 e 2025, um conjunto de contratos com a Câmara Municipal de Braga que totalizam 283.935 euros, segundo dados agora tornados públicos. Estes trabalhos foram celebrados em nove procedimentos, dos quais cinco por ajuste direto e quatro por consulta prévia.
A ligação entre o grupo — referido como Cecubo nos registos — e a autarquia abrange um período próximo de uma década e ocorreu durante o mandato do anterior presidente, Ricardo Rio. Fontes oficiais da Câmara admitiram não ter arquivado relatórios que comprovem a atividade do grupo no arquivo municipal; por sua vez, Ricardo Rio assegura que esses documentos foram entregues.
O caso insere-se no âmbito da operação judicial denominada Imergente, que no final de maio investigou diversos contratos e relações entre entidades e figuras políticas. A existência destas adjudicações em Braga levanta questões sobre os procedimentos de contratação e a fiscalização documental na autarquia.
"Um privilégio trabalhar com esta magnífica equipa da Cecubo Group"
O antigo diretor de comunicação da Câmara, Ricardo Gomes, publicou na sua página do LinkedIn uma referência à colaboração com o grupo, o que confirma envolvimentos profissionais posteriores à prestação de serviços à autarquia. Outro interveniente nas relações contratuais foi Boris Gayoso, administrador da empresa concorrente Siete Blanco, também com contratos celebrados com a mesma câmara.
- Período: 2016–2025
- Valor: 283.935 euros (Cecubo)
- Procedimentos: 9 contratos — 5 por ajuste direto, 4 por consulta prévia
- Outros: Soma com Siete Blanco atinge 371.245 euros em 16 contratos
| Empresa | N.º de contratos | Montante (€) |
|---|---|---|
| Cecubo | 9 | 283.935 |
| Siete Blanco | 7 | 87.310 |
| Total | 16 | 371.245 |
Do ponto de vista local, as implicações são diretas: contratos públicos assumem particular relevância quando estão associados a investigações criminais noutros contextos e quando há lacunas na documentação pública. A atual liderança da Câmara, também do PSD, decidiu não renovar o contrato com o grupo, segundo fontes citadas.
Para os cidadãos e observadores, ficam a ponderar-se medidas de clarificação: acesso aos relatórios de execução, averiguação dos fundamentos dos ajustes diretos e consultas prévias usados e clarificação sobre possíveis conflitos ou relações posteriores entre técnicos autárquicos e entidades contratadas. A transparência destes procedimentos é determinante para a confiança nas decisões que afetam despesas públicas e responsabilidade política local.