Empresas portuguesas confiam na capacidade competitiva perante aumento da concorrência
Em declarações prestadas em Luanda, à margem do IX Business Networking Angola-Portugal, o secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, afirmou que as empresas portuguesas «não receiam» a crescente concorrência internacional no mercado angolano. O governante sublinhou que a experiência das empresas nacionais em ambientes competitivos é um trunfo para continuar a marcar presença naquele mercado.
O encontro realizou-se pouco antes da abertura da 41.ª Feira Internacional de Luanda (FILDA), na Zona Económica Especial Luanda-Bengo, cuja forte participação portuguesa foi apontada pelo secretário de Estado como indicador do interesse continuado pelo mercado angolano. Questionado sobre sinais de perda de peso de Portugal em Angola, João Rui Ferreira referiu que a presença de empresas em termos de investimento e exportações é o melhor reflexo desse interesse.
"A competição global pelos mercados é algo que as empresas portuguesas estão habituadas a fazer"
O responsável reagia a dados que mostram uma redução no número de empresas portuguesas a exportar para Angola: menos 713 empresas a exportar em 2025 face a 2021. Contudo, o valor das vendas para Angola aumentou no mesmo intervalo temporal, com uma subida de 14,6%. Esses números revelam uma alteração na composição das exportações, com menos empresas a conseguir manter ou iniciar rotas comerciais, mas com crescimento agregado do montante exportado.
João Rui Ferreira destacou também variações nos fluxos de investimento: o investimento angolano em Portugal «mais do que duplicou desde 2021» e é hoje «quase o dobro» do investimento português em Angola, segundo as observações do governante. Ainda assim, defendeu que a relação histórica entre os dois países — embora não suficiente por si só para gerar negócios — constitui uma vantagem competitiva, especialmente através da confiança e do conhecimento partilhados, e referiu a língua como fator facilitador.
Além disso, o secretário de Estado apontou áreas de oportunidade para a cooperação económica, nomeadamente o desenvolvimento tecnológico e a inovação, com destaque para as startups como potencial vetor de ligação entre empresas portuguesas e o mercado angolano. A sua agenda em Luanda incluiu, para além da FILDA, encontros bilaterais com o ministro do Planeamento e com o ministro da Cooperação Económica.
- Presença na FILDA considerada indicador de interesse continuado.
- Menos 713 empresas portuguesas a exportar para Angola em 2025 comparado com 2021.
- Vendas para Angola cresceram 14,6% entre 2021 e 2025.
| Indicador | 2021–2025 |
|---|---|
| Variação no número de empresas portuguesas a exportar | -713 empresas |
| Variação do valor das vendas | +14,6% |
| Investimento angolano em Portugal | Mais que duplicou desde 2021; quase o dobro do investimento português em Angola |
O discurso oficial assume a competição internacional como «natural» face à estratégia angolana de diversificar parceiros e atrair investimento de várias origens. Para o secretário de Estado, essa competição não é impeditiva; antes, é uma oportunidade para as empresas portuguesas testarem e aplicarem competências em tecnologia e inovação em contexto angolano.
Os dados apontam para um cenário misto: redução do número de exportadores portugueses, aumento do valor exportado e fluxos de investimento assinaláveis em ambas as direções. A interpretação do Governo coloca-se na linha de que a história comum e a confiança facilitam novas oportunidades, mas os indicadores sugerem que se impõe atenção às estratégias empresariais e às políticas públicas que suportem a presença portuguesa num mercado cada vez mais contestado.