O deputado do Partido Socialista Luís Dias reiterou esta quarta-feira ao Governo a preocupação com a escassez de médicos de família no distrito de Évora, sublinhando o agravamento da situação e apontando o concelho de Vendas Novas como um exemplo crítico.
Pedido de esclarecimentos à tutela
Em pergunta dirigida à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, e enviada à agência Lusa pelo grupo parlamentar socialista, o deputado recorda que já havia questionado o Executivo sobre o problema a 03 de junho, sem ter obtido resposta até à data. Além do pedido de informação imediata, Luís Dias solicita dados sobre o número de utentes sem médico de família em Vendas Novas e as medidas previstas para reforçar urgentemente o quadro clínico daquele centro de saúde.
“O concelho de Vendas Novas constitui hoje um exemplo particularmente preocupante desta realidade”
O parlamentar alerta que, em vários concelhos do distrito, a falta de clínicos compromete o acesso aos cuidados primários, afectando o acompanhamento de doentes crónicos e os processos de diagnóstico. No caso de Vendas Novas, com quase 12 000 habitantes, o deputado sublinha que existem atualmente apenas três médicos de família em funções, número que considera manifestamente insuficiente para as necessidades locais.
- Impacto direto no seguimento de patologias crónicas e na vigilância de diagnósticos.
- Preocupação entre utentes, autarquias e profissionais de saúde sobre a falta de resposta estrutural.
- Perguntas ao Governo: conhecimento da situação, número de utentes sem médico e medidas para contratação e fixação de clínicos.
A denúncia aponta para um cenário em que milhares de cidadãos do distrito podem estar temporariamente sem acompanhamento regular de saúde primária. A ausência de resposta do Governo, segundo o deputado, é agravada pelo progresso negativo das condições sobre o terreno.
| Concelho | População (indicada) | Médicos de família em funções |
|---|---|---|
| Vendas Novas | quase 12 000 | 3 |
Para os residentes, a situação traduz-se em menor facilidade de marcar consultas de rotina, atrasos em renovação de tratamentos e maior pressão sobre serviços de urgência. As autarquias locais e profissionais de saúde manifestam inquietação pela ausência de soluções estruturais anunciadas pelo Governo.
O deputado questiona ainda quais as medidas previstas para assegurar a fixação duradoura de clínicos nos concelhos com maiores dificuldades de recrutamento e quando se prevê que todos os cidadãos do distrito possam ter acesso a um médico de família. A resposta da tutela, até agora, não foi comunicada.
Perante a carência sinalada, as autoridades locais e os responsáveis de saúde do distrito podem ser chamados a monitorizar listas de utentes sem médico e a preparar planos temporários de apoio, enquanto se esperam soluções de reforço do quadro clínico e políticas de retenção de profissionais nas zonas interiores.