Um projeto que procura transformar a prática artística dentro da escola
Na Escola Secundária Luís António Verney, a criação de uma Oficina/Companhia de Teatro nasceu no início do ano letivo como uma resposta organizada à necessidade de um espaço dedicado às artes cénicas. Idealizado em articulação com a Direção, o projeto foi conduzido por Wagner Borges que, a partir de um trabalho de escuta junto das turmas, identificou a ausência de locais onde os alunos dos cursos artísticos se pudessem sentir reconhecidos.
Escuta e espaço: os pilares da iniciativa
O primeiro grupo constituiu-se com oito alunos, convidados a integrar um processo de criação teatral. Rapidamente essa experiência evidenciou a falta de uma infraestrutura adequada, o que levou à materialização da Sala de Teatro, uma novidade até então inexistente na escola. O projeto foi pensado não só como formação artística, mas também como um espaço de experiência, liberdade criativa e encontro entre a comunidade educativa.
O teatro como ferramenta de educação
Para o responsável pelo projeto, o teatro não é apenas um ofício a ensinar: assume-se como um instrumento para reforçar competências essenciais no contexto escolar contemporâneo — nomeadamente empatia, criatividade e colaboração. Numa altura em que o ensino público enfrenta pressão por resultados, aumento da burocracia e uma dependência crescente da tecnologia, a iniciativa propõe uma alteração de prioridades, valorizando a dimensão humana da formação.
“A escola não é um templo nem um palco para herois solitários. É uma comunidade construída diariamente por pessoas comuns e acredito que o sucesso escolar começa em casa.”
Wagner Borges defende que a autoridade pedagógica deve assentear na coerência e não no medo, e que a escola tem de reforçar o seu papel como espaço de pensamento crítico e cidadania. Esta visão inclui a ideia de que, perante o acesso massivo à informação e às tecnologias, o professor assume cada vez mais um papel de mediação e curadoria do conhecimento.
Implicações e desafios para a educação pública
A criação desta Oficina/Companhia de Teatro levanta questões de âmbito mais amplo: como articular políticas escolares para garantir espaços físicos e recursos para as artes? De que forma se podem replicar práticas de escuta e criação coletiva noutras escolas? O exemplo da Luís António Verney mostra que pequenas intervenções locais — reunindo direção, docentes e alunos — podem gerar respostas concretas à lacuna de infraestruturas e visibilidade para os cursos artísticos.
Elementos do projeto
- Responsável: Wagner Borges
- Instituição: Escola Secundária Luís António Verney
- Alunos no primeiro grupo: oito
- Resultado imediato: criação da Sala de Teatro
| Objetivo | Medida implementada |
|---|---|
| Espaço de prática teatral | Constituição da Sala de Teatro |
| Visibilidade e reconhecimento dos alunos | Oficina/Companhia com processo de criação |
Ao colocar o teatro no centro de uma estratégia educativa que privilegia a escuta, a escola procura não só formar artistas, mas também cidadãos capazes de dialogar, cooperar e interpretar criticamente um mundo cada vez mais mediado pela tecnologia. O desafio prospectivo será alargar estas práticas e garantir sustentabilidade e recursos para que iniciativas semelhantes possam florescer noutros contextos escolares.