Atualizações remotas aumentam vulnerabilidades, dizem analistas
A generalização das atualizações over-the-air (OTA) na indústria automóvel, que permite enviar software, firmware e correções sem intervenção presencial, tornou o setor mais eficiente — mas também mais exposto a ameaças digitais, alertam peritos citados pela CNBC.
Investigadores e académicos sublinham que a tecnologia, popularizada por fabricantes como a Tesla, trouxe uma forma rápida e económica de gerir sistemas dos veículos. Contudo, essa facilidade operacional veio acompanhada de preocupações sobre segurança, privacidade de dados e possíveis usos maliciosos por agentes estrangeiros.
“A tecnologia é cada vez mais bem recebida por ser uma forma rápida e econômica de gerenciar sistemas dos veículos, em comparação com métodos tradicionais que podem exigir um recall ou uma atualização durante a manutenção de rotina”, afirmou Siraj Ahmed Shaikh, professor da Universidade de Swansea, à CNBC.
Para analistas, a adoção de OTA não é apenas uma questão técnica: envolve riscos estratégicos para a infraestrutura de transporte. Um especialista da S. Rajaratnam School of International Studies em Singapura alertou que a possibilidade de um atacante comprometer os controlos de um veículo em movimento é uma preocupação que vários países já manifestaram.
Impactos e medidas em debate
- Privacidade: a recolha e transmissão de dados dos veículos suscitam preocupações sobre quem acede e como são usados.
- Segurança operacional: atualizações remotas podem, se vulneráveis, permitir manipulação de sistemas críticos do veículo.
- Segurança nacional: existe o receio de que atores estatais possam usar brechas para espionagem ou sabotagem.
Organismos e centros de investigação pedem maior intervenção regulatória e práticas de segurança mais rígidas no setor automóvel. Um relatório citado do American Enterprise Institute instou a medidas que protejam a indústria automóvel de riscos de espionagem, incluindo revisões de segurança, restrições a hardware e software de origem estrangeira e maior transparência sobre a recolha de dados.
| Risco | Preocupação |
|---|---|
| OTA vulnerável | Possibilidade de ataques que afetem controlos do veículo |
| Dados dos utilizadores | Privacidade e uso por terceiros |
| Componentes estrangeiros | Risco de espionagem ou backdoors em hardware/software |
Os especialistas recomendam que governos e reguladores considerem normas específicas para a segurança das atualizações remotas, bem como requisitos de transparência sobre a telemetria e os componentes usados nos veículos. A necessidade de equilibrar inovação e proteção emerge como tema central: as atualizações OTA permitem resolver problemas sem recorrer a recalls, mas exigem uma abordagem de segurança por defeito e por design para mitigar riscos significativos.
Em Portugal, onde a digitalização do parque automóvel é crescente, as lições internacionais e recomendações de instituições académicas e think tanks podem orientar políticas públicas que reduzam a exposição a ameaças e garantam salvaguardas claras para condutores e para a infraestrutura crítica de transporte.