Governo norte-americano dá mais um passo para fechar portas à tecnologia chinesa nos data centers
A Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos Estados Unidos está a trabalhar numa proposta para proibir a importação de novos transcetores óticos produzidos na China para utilização em centros de dados, avançou a Reuters com base em quatro fontes próximas do processo. A expectativa é que a medida seja divulgada ainda este ano, embora as fontes sublinhem que o texto pode ser alterado ou mesmo arquivado.
Os transcetores óticos são componentes que convertem sinais elétricos em sinais óticos e vice-versa, sendo fundamentais nas ligações de rede que interligam servidores em centros de dados. O objetivo declarado da medida é impedir riscos que incluem o roubo de dados, a instalação de malware ou a interrupção de serviços em infraestruturas que alojam chips usados no treino e na execução de modelos de inteligência artificial (IA).
“À medida que a expansão dos data centers aumenta, é fundamental garantir que a cadeia de abastecimento dos data centers seja segura desde o início.”
Para especialistas citados pela agência, os transcetores representam um ponto sensível na cadeia de fornecimento de hardware para cloud e IA. A crescente capacidade e dispersão geográfica de centros de dados tornam esses componentes críticos, e as autoridades norte-americanas entendem que a origem desses dispositivos pode constituir uma vulnerabilidade de segurança nacional.
- Risco apontado: roubo de dados, instalação de malware e interrupção de serviços em centros de dados;
- Alvo: novos transcetores óticos importados de fabricantes chinesas;
- Impacto provável: efeitos nas cadeias logísticas de fornecedores globais e aumento de custos para operadores de cloud.
A reação da China não se fez esperar. A embaixada chinesa em Washington pediu aos Estados Unidos que deixem de difamar empresas chinesas e ameaçá-las com sanções, advertindo que o Governo chinês tomará "todas as medidas necessárias em resposta a qualquer ação que cause danos materiais aos interesses [da China]". A referência às possíveis medidas de retaliação sublinha o potencial de escalada política e económica caso a proibição avance.
| Elemento | Consequência provável |
|---|---|
| Fabricantes chineses de transcetores | Perda de acesso ao mercado dos EUA e redução de vendas |
| Operadores de centros de dados e cloud | Aumento de custos e necessidade de procurar fornecedores alternativos |
| Setor da IA | Possíveis atrasos ou custos acrescidos no treino/execução de modelos |
Esta proposta insere-se num contexto mais amplo de restrições impostas por Washington a várias tecnologias chinesas — de drones a inversores e robótica — com o argumento de proteger segurança nacional e cadeias críticas. Entre as empresas potencialmente afetadas está a Zhongji Innolight, apontada como um dos maiores vendedores mundiais de transcetores, referiu a Reuters.
Para a Europa e para Portugal, as consequências passam por duas vertentes: a necessidade de acompanhar decisões regulatórias que podem reconfigurar fornecedores e preços de equipamentos de rede, e a eventual pressão diplomática entre aliados, dado que medidas dos EUA podem levar a sincronização de políticas ou a tensões comerciais. Operadores de serviços de cloud e empresas tecnológicas europeias terão de avaliar riscos de cadeia de abastecimento e preparar estratégias de diversificação caso a proibição seja aprovada e replicada noutras jurisdições.
Em síntese, a iniciativa da FCC revela como a segurança de componentes aparentemente modestos pode determinar políticas industriais e relações diplomáticas à escala global, num momento em que a dependência de infraestruturas para IA e serviços em nuvem nunca foi tão grande.