A consultora PwC publicou uma sondagem que revela uma alteração significativa nos critérios de recrutamento e valorização de talento no sector financeiro: 86% dos mais de mil executivos americanos inquiridos consideram que a formação em inteligência artificial (IA) é mais valiosa do que um MBA para muitos profissionais recém-contratados. Ao mesmo tempo, 91% afirmaram estar a aumentar a remuneração de colaboradores com competências em IA.
Pressão para adoptar tecnologia na cúpula
O resultado da pesquisa evidencia a urgência com que as empresas estão a encarar a transformação tecnológica. Segundo a PwC, as instituições procuram hoje perfis que não se limitem a compreender o conceito de agentes de IA, mas que saibam construir essas soluções e gerir a sua implantação dentro da organização. Esse tipo de competências técnicas torna-se assim determinante para operacionalizar projetos identificados internamente.
“Há uma necessidade clara de pessoas que entendam não apenas o que é um agente, mas também como construí-lo e como pensar em sua gestão”
A citação é de Peter Pollini, responsável pela área de serviços financeiros da PwC, e sintetiza a preocupação das empresas em encontrar talento com capacidade técnica e visão de implementação, não apenas literacia tecnológica.
Consequências para mercado de trabalho e educação
O estudo também coloca em evidência a reavaliação do retorno do investimento em formação tradicional. A discussão em torno do custo e da utilidade de um MBA é antiga, e ganha nova actualidade quando confrontada com a necessidade imediata de competências práticas em IA. A pesquisa refere que o custo total típico de um MBA pode aproximar-se dos US$ 300.000, o que leva potenciais candidatos a ponderarem alternativas mais curtas e específicas.
- Empresas estão a oferecer maior remuneração a quem domina IA;
- Formação executiva em IA cresce em prestígio nas escolas de negócio;
- Cursos mais curtos e certificados emergem como opção prática e mais acessível.
Universidades de referência, entre as quais Harvard, a Universidade da Pensilvânia e o MIT, ampliaram a oferta de cursos executivos dedicados à IA. São programas de duração reduzida, orientados para aplicação imediata, com custos muito inferiores ao de uma pós-graduação completa. A PwC dá como exemplo um curso do MIT — “Liderando a organização orientada por IA” — que tem a duração de cinco dias e custa cerca de US$ 13.000.
| Indicador | Valor (fonte PwC / universidades) |
|---|---|
| Executivos que preferem IA a MBA | 86% |
| Empresas que aumentam salários para perfis de IA | 91% |
| Custo típico estimado de um MBA | US$ 300.000 |
| Exemplo de curso executivo (MIT) | 5 dias — US$ 13.000 |
Para o ecossistema laboral, isto significa duas tendências complementares: por um lado, uma maior procura e valorização imediata de competências técnicas em IA; por outro, um crescimento da oferta formativa modular que procura responder em tempo útil às necessidades das empresas.
Em Portugal, embora a sondagem se refira especificamente a executivos nos Estados Unidos, o efeito sãooro tende a reproduzir-se: instituições financeiras globais e filiais locais enfrentam pressões semelhantes para digitalizar operações e gerir riscos associados à IA. A mudança nas preferências de contratação e a escalada salarial por competências técnicas podem também influenciar a estratégia das escolas e centros de formação portugueses, que já estão a reajustar a sua oferta para incluir cursos executivos e certificações mais orientadas para aplicação prática.
O resultado da PwC sublinha uma realidade mais ampla: no contexto de transformação digital acelerada, o tempo de resposta das empresas e do sistema formativo é um factor crítico. A procura por perfis capazes de transformar soluções de IA em resultados concretos pressiona não apenas o mercado de trabalho, mas também o desenho dos percursos de aprendizagem e o equilíbrio entre educação tradicional e formação contínua especializada.