Um ataque explorou uma falha no software de dispositivos de armazenamento frio de Bitcoin, conhecidos como cold wallets, da empresa canadiana Coinkite, resultando no roubo de mais de 1.755 bitcoins, avaliados em aproximadamente US$ 110 milhões, de cerca de 5.000 carteiras, de acordo com a Galaxy Research.
Como foi possível o assalto
As carteiras frias, como as Coldcard, combinam um dispositivo físico com frases-semente — sequências de palavras usadas para recuperar acesso às chaves privadas — e são concebidas para ser uma camada adicional de segurança face às carteiras online. Segundo um relatório citado por especialistas em criptomoedas e pela própria Coinkite, a vulnerabilidade residia na implementação do gerador de números aleatórios durante a criação dessas frases-semente, tornando-as previsíveis.
“No momento em que a tela carregou, eu soube que estava perdido porque vi várias linhas vermelhas indicando saques”, contou Jonathan Goodman, uma das vítimas, à Bloomberg News.
Goodman afirma ter sofrido uma perda pessoal de US$ 1,6 milhão, descrevendo a rápida sequência de saques entre as 21h36 e as 21h43 do dia 29 de julho em que as suas três carteiras foram esvaziadas.
Consequências imediatas e reacções
O incidente provocou forte inquietação nas redes sociais e reacções entre investidores e especialistas em segurança. A Coinkite notificou utilizadores sobre compromissos em algumas unidades Coldcard, enquanto equipas de investigação, como a Block, identificaram a origem técnica do problema na aleatoriedade usada para gerar frases-semente.
- Perdas estimadas: 1.755 bitcoins (~US$ 110 milhões).
- Carteiras afectadas: cerca de 5.000.
- Relatos de vítimas com prejuízos individuais significativos (ex.: US$ 1,6 milhão).
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Bitcoins retirados | 1.755 |
| Valor aproximado | US$ 110 milhões |
| Carteiras comprometidas | ~5.000 |
Para utilizadores e investidores em Portugal, o caso serve como alerta sobre a natureza das ameaças que persistem mesmo em soluções consideradas de maior segurança. A confiança em dispositivos físicos pode ser abalada por erros de software ou implementações impróprias de componentes críticos, como geradores de números aleatórios.
As investigações em curso deverão clarificar o alcance total da falha, se houve exploração direcionada ou automatizada e quais medidas de mitigação a Coinkite e outras fabricantes implementarão para evitar reincidências. Até lá, especialistas recomendam cautela: rever procedimentos de backup, atualizar firmware quando disponíveis e considerar a diversificação das práticas de custódia de ativos digitais.
Este episódio volta a sublinhar que a segurança em criptomoedas não depende apenas de hardware físico, mas de toda a cadeia — desde o código até ao comportamento do utilizador — e que fragilidades em qualquer elo podem ter consequências financeiras significativas.