Queixa formal e investigação em curso
A família de um utente oncológico apresentou à Ordem dos Médicos uma queixa em que descreve o que qualifica como uma “
omissão gravíssima do dever de assistência imediata em situação de emergência” por parte de um médico do Hospital do Espírito Santo de Évora. A mesma queixa acusa o clínico de uma “conduta manifestamente violadora do respeito e humanização dos cuidados de saúde”, segundo o documento a que a agência Lusa teve acesso.
Fonte da Ordem dos Médicos confirmou a receção da queixa e informou que o processo será remetido ao Conselho Disciplinar para análise. A Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC), responsável pelo hospital, declarou também, por escrito, que recebeu “uma reclamação formal” e que esta se encontra “em análise pelas instâncias competentes, com vista ao rigoroso apuramento dos factos”.
Relato da família e sequência clínica
Segundo a mulher do doente, Célia Caleiro, o homem, em tratamento para um cancro da orofaringe, começou a apresentar febre cerca de uma semana antes do óbito. A família contactou o Serviço de Oncologia por indicação do próprio médico, que lhes teria pedido para evitar as urgências. Foi marcada uma consulta e o oncologista prescreveu análises clínicas, recomendando um anti-inflamatório, com a explicação de que enviaria receita por e-mail se se confirmasse uma infeção bacteriana.
Durante os dias seguintes, o doente manteve sessões de radioterapia numa unidade em Lisboa, uma deslocação diária de 400 quilómetros, devido ao encerramento temporário do serviço de radioterapia no HESE para obras. Na véspera do óbito, a febre regressou e a família voltou a contactar a oncologia. Foi-lhes transmitido que o médico pedia a continuidade dos tratamentos e que estava marcada nova consulta para o dia seguinte.
Dia do óbito e alegada falta de resposta imediata
Na manhã de 15 de julho, o casal deslocou-se ao Edifício do Patrocínio, onde funciona o serviço de oncologia, por volta das 09:00. O utente estava febril e queixava-se de falta de ar. A mulher relata que alertou os profissionais de saúde para estes sintomas na sala de espera. O doente acabou por falecer nesse dia. A família entende que houve uma desvalorização dos sinais de agravamento e aponta omissão de assistência numa situação de emergência.
- Queixa entregue à Ordem dos Médicos e enviada para o Conselho Disciplinar.
- ULSAC confirma receção de reclamação e investigação interna em curso.
- Paciente em tratamento para cancro da orofaringe; radioterapia realizada em Lisboa devido a obras no HESE.
Consequências locais e próximos passos
O caso levanta questões imediatas para os utentes e profissionais de saúde em Évora: procedimentos de triagem e resposta a sintomas de infeção em doentes oncológicos, articulação entre consultas programadas e serviço de urgência, e comunicação entre equipa clínica e famílias. Do ponto de vista processual, a tramitação pela Ordem dos Médicos e a investigação interna pela ULSAC serão determinantes para apurar factos e responsabilidades.
| Evento | Data/Observação |
|---|---|
| Início da febre | cerca de uma semana antes do óbito |
| Óbito | 15 de julho |
| Reclamação | Queixa entregue à Ordem dos Médicos; ULSAC a analisar |
A investigação em curso deverá clarificar os prazos das decisões clínicas e eventuais falhas no acompanhamento. Enquanto isso, a comunidade local aguarda respostas oficiais que expliquem o sucedido e que reforcem a confiança nos serviços do Hospital do Espírito Santo de Évora.