FMI elogia «melhora» macroeconómica na Argentina e realça papel das reformas
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou em Buenos Aires que a Argentina se encontra «em uma situação mais saudável» desde a tomada de posse de Javier Milei, em 2023. A declaração foi proferida durante uma conferência de imprensa conjunta com o ministro da Economia, Luis Caputo, no âmbito de uma visita que reforça a relação entre o país e a instituição credora.
Georgieva sublinhou os «avanços significativos na estabilidade macroeconómica e financeira desde 2023», apontando para uma desaceleração da inflação, a obtenção de um superávit fiscal e melhorias na avaliação de risco de crédito. Esses desenvolvimentos foram destacados como determinantes para restaurar confiança e dinamizar actividades económicas estratégicas.
“Quando há estabilidade macroeconómica e financeira, o desempenho geral da economia melhora.”
O ajuste fiscal e a renegociação com o FMI culminaram num acordo de crédito de US$ 20 mil milhões, uma referência central nas conversações entre Buenos Aires e a instituição. O executivo argentino tem, segundo a dirigente do Fundo, conseguido criar condições favoráveis a investimento em sectores como petróleo, gás, mineração e agricultura, ainda que persista a necessidade de impulsionar a criação de empregos formais e a retoma do consumo.
O ministro Luis Caputo descreveu a relação com o Fundo como «excelente, em todos os níveis», expressão que traduz o alinhamento entre as autoridades argentinas e os técnicos do FMI. Após a conferência, Georgieva reuniu-se com o Presidente na Casa Rosada e anunciou uma deslocação a Vaca Muerta, a grande formação de hidrocarbonetos não convencionais localizada na província de Neuquén, a cerca de 1.200 km de Buenos Aires. A visita ao campo — considerado vital para a autonomia energética e para as exportações argentinas — reforça o foco na potencialização dos recursos naturais como motor de crescimento.
Contexto e riscos: austeridade, protestos e desafios sociais
O reconhecimento do FMI surge num contexto marcado por medidas de austeridade intensa implementadas pelo Governo de Milei. Embora as estatísticas macroeconómicas apontem melhorias, a visita foi acompanhada de protestos na Praça de Maio, onde manifestantes expressaram descontentamento face à presença da diretora-gerente do Fundo. Analistas alertam para a dualidade entre estabilização formal das contas públicas e fragilidades sociais que podem comprometer a sustentabilidade política das reformas.
- Estabilização macro: desaceleração da inflação e melhoria da perceção de risco.
- Financiamento: acordo de crédito de US$ 20 mil milhões entre Argentina e FMI.
- Investimento em energia: destaque para Vaca Muerta como projecto estratégico.
- Desafios sociais: necessidade de criar emprego formal e recuperar consumo.
Georgieva também salientou, através da sua conta na rede X, a importância de manter a estabilidade e avançar com reformas que promovam o crescimento sólido, a atração de investimento e a geração de emprego. Essas mensagens emergem numa fase em que o Governo procura traduzir ganhos macroeconómicos em melhorias tangíveis para a população.
| Item | Referência |
|---|---|
| Acordo com o FMI | US$ 20 mil milhões |
| Início das medidas | 2023 |
| Destino da visita | Vaca Muerta (c. 1.200 km de Buenos Aires) |
Para observadores internacionais, a evolução argentina constitui um caso de estudo sobre a eficácia de ajustes macroeconómicos severos em contextos de crise. A materialização de efeitos positivos em termos de emprego, rendimento e coesão social permanece, porém, condicionada à capacidade do Governo de combinar disciplina fiscal com políticas que estimulem o consumo e a criação de emprego formal.
Em síntese, a visita de Kristalina Georgieva e as suas declarações reforçam a narrativa de recuperação macroeconómica na Argentina desde 2023, mas também afastam a possibilidade de complacência: a estabilização recente abre portas a novas oportunidades económicas, enquanto realça a urgência de políticas que tornem essa recuperação inclusiva e sustentável.