FPF reafirma oposição conjunta às mudanças propostas pela FIFA
A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) declarou, numa comunicação dirigida aos sócios e aos clubes dos três principais escalões, que se posicionou ao lado das restantes 55 federações da UEFA ao rejeitar a proposta do presidente da FIFA de transferir participações de propriedades dos Campeonatos do Mundo para investidores privados. A missiva, assinada por Pedro Proença, chega pouco depois de a ideia ter sido anunciada e gerar forte contestação.
O projeto avançado por Gianni Infantino previa a criação de uma entidade — a FIFA Forward Enterprise (FFE) — detida pela própria FIFA, com o objetivo de agrupar direitos comerciais e, a partir daí, vender participações minoritárias a investidores externos. A proposta tinha uma avaliação inicial citada em 20 mil milhões de dólares, um valor que amplificou a preocupação sobre quem controlaria decisões estratégicas do futebol global.
Riscos apontados pela FPF
Na carta, a FPF sublinha que a transferência de participações a interesses privados poderia colocar nas mãos desses investidores decisões sobre o calendário internacional, formatos competitivos e outros aspetos estruturais do futebol. A posição portuguesa considera que tal alteração representaria uma mudança profunda na natureza do desporto e que não pode ser aceite por quem tem a missão de proteger o jogo para as gerações futuras.
"O modelo proposto pela FIFA, ao colocar nas mãos de interesses privados decisões determinantes sobre o calendário internacional, os formatos competitivos e o desenvolvimento futuro do desporto, configuraria uma alteração profunda e inaceitável da natureza do futebol."
A reacção da FPF surge numa altura em que a proposta foi amplamente criticada e, ao que se sabe, o próprio presidente da FIFA admitiu mais tarde que o projeto não serviria o objetivo inicial, manifestando recuo face à contestação.
Implicações para clubes e campeonatos
Ao enviar a carta aos clubes da I Liga, II Liga e Liga 3, a FPF pretendeu clarificar a posição institucional antes do arranque dos campeonatos. A argumentação da Federação aponta para a necessidade de preservar princípios básicos do desporto, evitando que fatores financeiros determinem a organização e o futuro competitivo das provas.
- 55 federações da UEFA adoptaram posição conjunta contra a medida.
- A proposta previa a constituição da FFE, controlada pela FIFA.
- Valor inicial associado à operação: 20 mil milhões de dólares.
| Data / Evento | Detalhe |
|---|---|
| 28 de julho | Apresentação da ideia da FIFA para a FFE |
| 1 de agosto | Admissão de recuo por parte do presidente da FIFA |
| Comunicação da FPF | Envio de carta a sócios e clubes com a posição de rejeição |
O posicionamento da FPF ilustra a tensão entre a necessidade de explorar receitas para o desenvolvimento do futebol e a defesa de princípios que garantam autonomia competitiva e integridade institucional. Perante um cenário em que interesses privados poderiam adquirir influência sobre decisões cruciais, a Federação optou por alinhar-se com a maioria das federações europeias, deixando claro que o desenvolvimento comercial não pode sobrepor-se a princípios considerados inalienáveis.