Empresa de moldes declarada insolvente pelo Tribunal de Alcobaça
O Juízo de Comércio de Alcobaça decretou, em decisão datada de 17 de Março de 2026, a insolvência da Frumolde Tooling, fabricante de moldes para injecção de plástico com mais de três décadas de actividade na região. O pedido foi apresentado pelo Banco Comercial Português, identificado como principal credor nos autos, e a administração da massa insolvente foi confiada a Wilson José Gabriel Mendes, com domicílio profissional na Marinha Grande.
A unidade industrial da Frumolde, situada na Avenida Nossa Senhora de Fátima, Martingança, já foi colocada em processo de leilão electrónico pela Inlex Leiloeira. O conjunto a leiloar agrega o prédio urbano e a totalidade do equipamento, oferecendo-se como uma oportunidade para aquisição de um complexo fabril pronto a operar.
Segundo os documentos do processo, os dois lotes apresentam os seguintes valores base e mínimos:
| Lote | Valor base (€) | Valor mínimo (€) |
|---|---|---|
| Prédio urbano (3.255 m²) | 1.236.336,39 | 1.050.885,94 |
| Equipamento industrial | 1.113.663,61 | 946.614,06 |
O valor mínimo conjunto de venda dos dois lotes ultrapassa, portanto, os 1,9 milhões de euros, montante que reflecte tanto o terreno e a edificação como o parque de máquinas especializado.
O equipamento inventariado inclui, entre outros itens, pontes rolantes, fresadoras, máquinas de erosão por penetração e por fio, uma célula de fabrico automatizada, retificadoras, prensas e compressores. Tratam-se de activos com aplicação directa na produção de moldes para sectores como a indústria automóvel, electrodomésticos e dispositivos médicos.
A Frumolde Tooling iniciou actividade em 1990 como empresa comercial na Marinha Grande e, ao longo das décadas, evoluiu para produtor próprio de moldes. Em 2014 transferiu-se para as actuais instalações em Martingança, no concelho de Alcobaça, com um capital social declarado de 525 mil euros. De acordo com informação divulgada na sua página de internet, a empresa chegava a empregar cerca de 50 trabalhadores e destinava cerca de 40% da sua produção ao sector automóvel.
Impacto local e perspectivas
Para Alcobaça e para a sub-região, a perda de uma unidade produtiva com esta dimensão traduz-se em várias consequências concretas: risco de desemprego entre trabalhadores directos e indirectos, redução da capacidade local de fornecimento para a cadeia regional de moldes e possíveis mudanças no perfil de uso do espaço industrial em Martingança.
- Afectação de emprego directo: cerca de 50 trabalhadores associados à fábrica.
- Alteração do parque industrial local: venda do imóvel e equipamento por leilão.
- Potencial reorganização da oferta para indústrias automóvel, electrodomésticos e médica.
O processo de venda em lote pode preservar a unidade produtiva caso surja um comprador que pretenda manter a actividade; por outro lado, a dispersão dos activos num leilão electrónico pode dificultar a manutenção imediata dos postos de trabalho. A decisão de insolvência e o modo de alienação dos bens serão determinantes para o desfecho no curto e médio prazo.
As autoridades locais, potenciais compradores e os trabalhadores terão de acompanhar os desenvolvimentos do leilão e das comunicações formais do administrador da massa insolvente para perceber calendários, condições de aquisição e eventuais ofertas de continuidade operacional.