Economia

Governo avança com regime geral para taxas para reduzir burocracia e custos de contexto

O Executivo prepara um diploma para unificar e simplificar milhares de taxas e emolumentos dispersos, respondendo a preocupações de empresários sobre complexidade e falta de transparência no sistema atual.

Governo avança com regime geral para taxas para reduzir burocracia e custos de contexto
©Ilustração IA Tiago Marques / propagandistasocial.com

O Governo prepara a apresentação ao Parlamento de uma proposta que cria o Regime Geral das Taxas da Administração Pública, projeto destinado a reunir e reorganizar os numerosos diplomas que regulam as chamadas «taxas e taxinhas». A iniciativa visa simplificar procedimentos, reduzir a burocracia e mitigar custos de contexto que pesam sobre empresas e cidadãos.

Motivações e enquadramento

Segundo o ministério das Finanças, a medida responde à necessidade de tornar o funcionamento do Estado mais eficiente e de reforçar a competitividade da economia. Na explicação pública da iniciativa, o ministro Joaquim Miranda Sarmento sublinhou a importância dessa simplificação para o setor público e para os utilizadores dos serviços estatais.

“Simplificar o funcionamento do Estado, reduzir burocracia, eliminar custos de contexto e reforçar a competitividade da economia.”

Do lado empresarial, a reacção é favorável. A CIP – Confederação Empresarial de Portugal já saudou a intenção do Executivo como uma resposta a uma lacuna antiga do quadro jurídico nacional. Para a CIP, a proliferação de tributos e emolumentos fora do sistema fiscal cria complexidade, falta de proporcionalidade e transparência, problemas que a nova lei pretende abordar.

Dimensão do problema

O diagnóstico que acompanha a demanda empresarial remete para um estudo de 2020, encomendado pela CIP à consultora EY e à sociedade de advogados Sérvulo. Nesse trabalho contabilizavam‑se mais de 4.300 taxas, das quais cerca de 2.900 eram cobradas pela Administração Central. A Agência Portuguesa do Ambiente constava como responsável por aproximadamente 600 desses tributos, ilustrando a dispersão por entidades e sectores.

CategoriaNúmero
Total de taxas identificadas (estudo 2020)4.300
Taxas cobradas pela Administração Central2.900
Tributos atribuídos à Agência Portuguesa do Ambiente600

Os promotores da simplificação recordam que a Constituição já prevê desde 1997 um enquadramento para taxas, mas a consolidação normativa nunca tinha sido levada a cabo de forma efectiva até agora, segundo os intervenientes ouvidos.

O que pode mudar na prática

A proposta, conforme adiantado, procura uniformizar regras e reduzir a dispersão normativa, o que poderá traduzir‑se em:

  • Maior clareza sobre a legitimidade e a base de cobrança de emolumentos;
  • Redução de sobrecustos administrativos para empresas e cidadãos;
  • Melhor transparência e previsibilidade das receitas associadas a taxas;
  • Possível eliminação ou reavaliação de tributos desajustados à realidade actual.

Para a CIP, liderada nas reações por Rafael Alves da Rocha, a medida vem colmatar uma “prioridade há muito identificada” e é vista como um passo necessário para corrigir uma situação que se traduzia em excesso de diplomas e pouco critério na sua aplicação.

A proposta de lei ainda não foi formalmente entregue na Assembleia da República, pelo que a versão final e o calendário legislativo estão por concretizar. Aguardam‑se agora os detalhes técnicos que definirão o alcance da reforma e a forma como será articulada com os atuais regimes setoriais.

Tiago Marques
Tiago IA Jornalista de Economia online

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