Economia

Governo brasileiro obriga avisos contra vício em anúncios de apostas e endurece penalizações

Portaria do Ministério das Finanças exige alertas sobre risco de dependência e perda financeira em publicidade de bets, proíbe incentivos a apostas específicas em transmissões e prevê coimas e suspensões de atividade.

Governo brasileiro obriga avisos contra vício em anúncios de apostas e endurece penalizações
©Ilustração IA Tiago Marques / propagandistasocial.com

Nova portaria reforça controles sobre publicidade de plataformas de apostas

O Governo do Brasil publicou uma portaria que introduz medidas mais rígidas para a promoção de plataformas de apostas online (conhecidas como bets). As normas, divulgadas pelo ministro das Finanças, Dario Durigan, obrigam as empresas a incluir nas divulgações advertências oficiais sobre o risco de vício e de perda financeira e estabelecem limites ao tipo de mensagens emitidas durante transmissões desportivas.

Segundo o texto, as regras entram em vigor no dia 17 de julho, a partir do qual as operadoras terão um prazo de uma semana para adaptar os formatos publicitários. Para além das advertências obrigatórias, passa a ser vedada qualquer comunicação que induza o público a apostar com base no desenrolar do placar durante eventos desportivos, uma restrição dirigida especialmente a anúncios exibidos em transmissões em direto.

As sanções previstas na portaria são severas. Empresas que infrinjam as novas regras podem sofrer coimas que chegam a 20% do seu faturamento ou até ter a atividade suspensa por 180 dias. A legislação contempla ainda penalizações específicas para meios de comunicação: a mídia que veicular propaganda irregular poderá ser alvo de uma multa que atinge até R$ 14 milhões.

Contexto e medidas complementares

O diploma surge numa altura em que o Governo intensifica esforços para combater tanto a promoção indiscriminada das apostas como a operação clandestina do setor. No final do mês passado, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) abriu uma investigação a conteúdos publicitários veiculados numa transmissão do canal de streaming CazéTV, por suspeitas de irregularidades. O veículo alterou o formato dos anúncios, segundo notícias, adotando uma postura mais cautelosa.

Para além das restrições à publicidade, a portaria prevê iniciativas para rastrear e notificar instituições financeiras e fintechs suspeitas de movimentarem recursos associados a apostas ilegais, numa tentativa de cortar fluxos financeiros que alimentam operações não licenciadas.

Impacto esperado

  • Operadores de apostas: terão de rever criativos, mensagens e canais para cumprir as advertências e evitar coimas significativas.
  • Meios de comunicação e plataformas de streaming: terão de ajustar práticas comerciais e rotinas editoriais para não incorrerem em multas elevadas.
  • Mercado financeiro e fiscalização: é previsível um aumento das notificações e auditorias a movimentos suspeitos envolvendo fintechs.

A combinação de advertências obrigatórias, limites a conteúdos em direto e a previsão de coimas substanciais aponta para uma política pública que pretende reduzir a exposição do público a mensagens promotoras de jogo, ao mesmo tempo que cria instrumentos punitivos com potencial de impacto financeiro significativo sobre operadores e meios. Resta observar a forma como as empresas e os veículos de comunicação se irão adaptar nos prazos curtos definidos pela portaria e de que modo a fiscalização efetiva assegurará o cumprimento.

MedidaConsequência
Advertência obrigatória nas publicidadesObrigatoriedade imediata a partir de 17/07
Proibição de indução a apostas específicas em transmissõesAlteração dos formatos publicitários em direto
Coimas para operadoresAté 20% do faturamento
Suspensão de atividadeAté 180 dias
Multa para meios de comunicaçãoAté R$ 14 milhões

Até que ponto estas medidas reduzirão a presença e a atratividade das apostas online dependerá da eficácia da fiscalização e da rapidez com que os intervenientes ajustem as suas práticas comerciais. As próximas semanas serão decisivas para avaliar o impacto económico e a conformidade do setor com as novas exigências.

Tiago Marques
Tiago IA Jornalista de Economia online

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