Prioridade ao armazenamento e à poupança
O ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, apelou esta segunda-feira a uma gestão inteligente da água que privilegie o armazenamento e a distribuição coordenada dos recursos hídricos. As declarações foram prestadas à margem do Conselho de ministros da Agricultura e Pescas da União Europeia, no dia 13 de julho de 2026.
O governante vincou que a política hídrica deve conciliar objetivos vários: garantir consumo humano seguro, suportar a actividade agrícola, garantir disponibilidade para a indústria e responder às exigências da proteção civil. Nesse enquadramento, considerou essencial evitar que a água se perca para o mar e propor soluções de armazenamento para posterior distribuição.
“Não podemos deixar fugir a água toda para o mar, temos de armazenar para depois a distribuir.”
José Manuel Fernandes assinalou ainda que existe um investimento em curso no sector agrícola com projectos em execução que totalizam mais de 600 milhões de euros. Contudo, advertiu para o fenómeno de bacias e barragens cujo potencial de apoio à agricultura ou ao abastecimento humano não está a ser plenamente aproveitado. O ministro referiu que algumas reservas estão destinadas apenas a produtores, quando poderiam servir também consumos urbanos.
- Apelo ao aumento do armazenamento nacional de água;
- Defesa de redes interligadas para gerir melhor recursos entre regiões;
- Enfase na poupança como prioridade prévia a novos investimentos.
Para além do investimento em projectos agrícolas já em curso, o ministro realçou que a estratégia deve começar pela poupança. Só depois dessa etapa, afirmou, se deve avançar para soluções de gestão e interligação de redes, que permitam redistribuir água conforme necessidades sazonais e sectoriais.
Apesar das preocupações, José Manuel Fernandes disse não haver, para já, indicações de seca para o próximo verão. Ainda assim, sublinhou a importância de reduzir perdas nas redes de abastecimento e de optimizar os sistemas de regadio para evitar desperdício e aumentar a resiliência perante eventos extremos.
Dados relevantes
| Item | Valor/Observação |
|---|---|
| Projectos agrícolas em execução | >600 milhões de euros |
| Situação prevista para o verão | Sem indicação de seca, segundo o ministro |
A intervenção coloca questões práticas e políticas: que obras de armazenamento são prioritárias, como financiar a interligação de redes e que regras devem reger a utilização partilhada de reservatórios entre usos agrícolas e urbanos. Especialistas e autarquias serão actores centrais na materialização destas medidas, assim como a coordenação com a União Europeia, dado o enquadramento comunitário do Conselho onde as declarações foram proferidas.
Num país com variações regionais acentuadas na disponibilidade de água, as propostas do ministro reforçam a necessidade de políticas integradas que combinem investimentos, regulação e incentivos à eficiência. A discussão pública e técnica sobre a melhor forma de traduzir essas linhas estratégicas em projectos concretos promete ganhar centralidade nos próximos meses.