Contexto e pressões sobre a seguridade social
O Vietname encontra-se num ponto de inflexão: a combinação de envelhecimento demográfico, elevado trabalho informal e a disseminação da tecnologia digital obriga a uma reavaliação urgente das políticas de seguridade social. As projeções indicam que, até 2038, mais de 20% da população será idosa, aumentando significativamente a pressão sobre os fundos de pensões e saúde.
Ao mesmo tempo, no segundo trimestre de 2026 a força de trabalho situava‑se em aproximadamente 53,8 milhões de pessoas, das quais 32,5 milhões (cerca de 61,7%) trabalham no sector informal, segundo o Departamento Geral de Estatísticas. Entre estes trabalhadores, 76% têm apenas o ensino básico ou menos, o que limita o seu acesso às proteções do sistema formal.
O impacto da automação e da inteligência artificial
Além dos factores demográficos e laborais, o avanço da automação e da inteligência artificial apresenta um risco adicional: o relatório da Organização Internacional do Trabalho de abril de 2026 estima que cerca de 20% dos empregos no país podem ser afetados por estas tecnologias. A substituição de tarefas automatizáveis não se limita às fábricas, estendendo‑se a serviços, comércio e funções administrativas, o que aumenta a urgência de políticas de transição laboral e de reconversão profissional.
Reformas e bases legais já em curso
As alterações institucionais não são novidade: a Resolução 28‑NQ/TW, de 23 de maio de 2018, estabeleceu a meta estratégica de universalizar a seguridade social. Desde então têm sido introduzidas medidas para ampliar a cobertura e modernizar processos, incluindo iniciativas de identificação eletrónica e integração de sistemas digitais que facilitem o acesso a benefícios.
Consequências e opções de política
Os desafios apresentados exigem respostas estruturais e multifacetadas. Entre as opções que emergem do diagnóstico estão:
- Expandir a cobertura formal do trabalho, incentivando a inscrição e contribuição dos trabalhadores informais;
- Investir em formação e reconversão profissional para mitigar o impacto da automação;
- Modernizar sistemas de administração da seguridade social com ferramentas digitais, mantendo acessibilidade para populações com menor literacia digital;
- Rever o equilíbrio financeiro dos fundos de pensões face ao aumento de beneficiários idosos.
Qualquer combinação destas medidas terá de conciliar sustentabilidade fiscal com inclusão social. A utilização de tecnologia na gestão e distribuição de benefícios pode reduzir custos e melhorar a cobertura, mas também corre o risco de aprofundar exclusões se não for acompanhada de políticas de literacia digital e de facilitação do acesso.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Força de trabalho (2T 2026) | 53,8 milhões |
| Trabalhadores no sector informal | 32,5 milhões (~61,7%) |
| Percentagem com ensino básico ou menos (informal) | 76% |
| Empregos em risco por IA (estimativa OIT) | 20% |
| Proporção prevista de idosos até 2038 | Mais de 20% |
O enquadramento digital da administração da seguridade social pode ser parte da solução, incluindo a integração de sistemas de identificação electrónica para facilitar o acesso a serviços. Contudo, sem medidas paralelas de inclusão e de proteção dos mais vulneráveis, a modernização corre o risco de agravar desigualdades existentes.
As decisões tomadas agora serão determinantes para a capacidade do país de garantir proteção social ampla e sustentável numa era em que tecnologia e demografia alteram profundamente o mercado de trabalho e os perfis de risco social.