Plano funcional do HDES vai ser apresentado aos partidos e à comunidade
O Governo dos Açores vai apresentar, na sexta‑feira, o Plano Funcional do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, aos partidos com assento parlamentar. A intenção é também alargar a apresentação ao Conselho de Ilha de São Miguel e às câmaras municipais, numa estratégia que o executivo regional descreve como de participação e diálogo com profissionais e administradores.
O documento representa a base para o desenvolvimento do programa preliminar que orientará a recuperação e reorganização do HDES, afetado por um incêndio em 4 de maio de 2024. Desde esse acidente, todos os doentes foram transferidos para outras unidades da região, da Madeira e do continente, enquanto um hospital modular foi montado junto ao edifício para manter a resposta assistencial.
“O programa funcional cumpre o objetivo do 3R por nós, pelo conselho de administração e corpo clínico definido: a reparação, o redimensionamento e a reorganização funcional do hospital”
O presidente do Governo dos Açores sublinha o papel do HDES no Serviço Regional de Saúde e refere o compromisso da República no financiamento da recuperação, que o executivo pretende conduzir “como se de um hospital novo se tratasse”. O Plano Funcional já foi apresentado ao hospital e ao corpo clínico e deverá ser disponibilizado para consulta pública.
Principais alterações previstas e impacto para os utentes
O programa funcional inclui alterações significativas na capacidade e na organização dos serviços. Entre as medidas anunciadas estão o aumento do número de camas, a ampliação da área cirúrgica, maior capacidade nas consultas externas e o reforço de vários hospitais de dia, medidas que visam melhorar a resposta especializada na ilha.
- Reforço da capacidade de internamento e possibilidade de expansão futura;
- Ampliação do bloco operatório e do bloco de partos;
- Aumento da capacidade da consulta externa e dos hospitais de dia, nomeadamente hemodiálise e oncologia.
Os números divulgados no programa funcional são os seguintes:
| Item | Situação atual | Previsto | Possível expansão |
|---|---|---|---|
| Capacidade de internamento | 437 | 500 | 641 |
| Salas de cirurgia programada | — | 10 | — |
| Salas no bloco de partos | 1 | 2 | — |
| Gabinetes de consulta externa | 60 | 139 | — |
| Monitores de hemodiálise | 23 | 35 | — |
| Postos de oncologia (hospital de dia) | 12 | 16 | — |
Estas alterações deverão traduzir‑se em maior capacidade para internamento, mais consultas e maior oferta em terapias crónicas e oncológicas, reduzindo a necessidade de encaminhamentos para fora da ilha. A existência de um programa funcional claro é um passo determinante para avançar para as fases subsequentes de projeto e obra.
O processo de elaboração do plano foi descrito pelo executivo como suportado em critérios científicos e clínicos, com a participação dos profissionais do hospital e dos administradores. A apresentação aos partidos e às entidades locais e a disponibilização pública do documento visam reforçar a transparência e permitir que a população e os agentes locais acompanhem o processo.
Para os habitantes de Ponta Delgada e da ilha de São Miguel, a concretização deste plano prometida pelas autoridades representa a perspetiva de um serviço hospitalar com maior capacidade e melhor ajustado às necessidades regionais, depois da perturbação causada pelo incêndio de maio de 2024 e da solução temporária garantida pelo hospital modular.