Revisão do INE altera quadro do rendimento médio nacional
O Governo admite que a revisão recente do Instituto Nacional de Estatística (INE), que apontou para um acréscimo significativo do número de residentes em Portugal, terá como consequência uma redução substancial do produto interno bruto (PIB) por habitante. Manuel Castro Almeida, ministro da Economia e da Coesão Territorial, referiu esta interpretação durante uma audição na comissão parlamentar de Economia e Coesão Territorial.
Segundo os cálculos apresentados pelo executivo, o PIB per capita deverá situar-se "na ordem dos 80%" da média da União Europeia, até que sejam divulgados os valores finais do INE que permitirão afinar a estimativa. O ministro sublinhou que ainda é necessário consolidar o valor global da alteração da população e do produto para quantificar com precisão a nova posição relativa de Portugal no conjunto europeu.
"Enquanto não estiver afinado o valor global da alteração da população e do produto, [não é possível perceber] o que aconteceu ao valor do PIB per capita e compará-lo com as médias europeias", afirmou Manuel Castro Almeida.
Para enquadrar esta avaliação, recorde-se que, em 2025, o Eurostat tinha estimado que a riqueza por habitante em Portugal correspondia a 81% da média da União Europeia. A diferença entre essa referência e a nova estimativa do executivo — cerca de um ponto percentual — resulta da incorporação do aumento populacional agora comunicado pelo INE.
Na mesma audição parlamentar, o ministro destacou indicadores macroeconómicos recentes que complicam a leitura conjunta das contas públicas e do rendimento por habitante: a economia portuguesa cresceu 2,3% homólogo no primeiro trimestre de 2026, valor superior ao registado pela Zona Euro, que se ficou pelos 0,3%. Castro Almeida apontou ainda que Portugal figura entre os países que mais elevaram os salários no ano anterior.
- Razão da revisão: acréscimo significativo do número de residentes reportado pelo INE.
- Efeito principal: queda estimada do PIB por habitante para cerca de 80% da média UE.
- Dados a confirmar: números finais do INE que permitem aferir o impacto total sobre o PIB per capita.
As implicações políticas e sociais desta nova leitura são amplas. Uma redução da riqueza por habitante, mesmo que refletindo um aumento demográfico real, tende a influenciar perceções sobre convergência europeia, prioridades de investimento e debates sobre coesão territorial. Também afeta comparações internacionais usadas em negociações orçamentais e em decisões de política económica.
O Governo mantém a necessidade de aguardar os dados finais do INE para poder "afinar" a estimativa e quantificar de forma definitiva a posição de Portugal face à média europeia. Até lá, as projeções do executivo e os dados do Eurostat para 2025 fornecem os marcos principais para a interpretação dos desenvolvimentos.
| Referência | Valor (% da média UE) |
|---|---|
| Estimativa do Governo (prévia) | ~80% |
| Eurostat (2025) | 81% |