Ministro liga investimento em Defesa a aposta no euro
O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, afirmou hoje que o impulso nas capacidades de defesa dos Estados-membros deve ser aproveitado como uma janela para reforçar a dimensão internacional do euro. A intervenção decorreu no encerramento da conferência "Encontros fora da Caixa", organizada pela Caixa Geral de Depósitos (CGD) na Culturgest, em Lisboa.
Sarmento salientou que, em Portugal, a despesa em Defesa atingiu 2% do produto interno bruto (PIB) em 2025, um patamar que classificou simultaneamente como "uma necessidade de segurança" — abrangendo o território continental, marítimo e aéreo — e como uma oportunidade de industrialização para a economia nacional.
"A União Europeia tem uma enorme oportunidade de reforçar o papel do euro face ao dólar e uma das vertentes é exatamente reforçar as suas capacidades de segurança e defesa"
Ligação entre segurança, indústria e moeda única
Na leitura do ministro, o aumento de recursos destinados à defesa pode potenciar cadeias de valor industriais na Europa, reduzindo dependências externas e estimulando capacidades tecnológicas estratégicas. Esse reforço industrial e operativo, argumentou, cria condições favoráveis para que o euro alargue o seu papel como moeda de referência internacional, desafiando a predominância do dólar.
Além do foco na defesa e na moeda, Sarmento destacou o desempenho do sistema bancário português como um elemento de resiliência macroeconómica. Referiu que o setor financeiro nacional melhorou substancialmente face à situação de há quinze anos e sublinhou que alguns bancos mostram níveis de rentabilidade e capitalização entre os mais elevados na zona euro.
Desafios estruturais que permanecem
O ministro reconheceu, contudo, que persistem constrangimentos na economia portuguesa. Enumerou vetores que exigem intervenção: capital humano, burocracia, custos de contexto, flexibilidade do mercado de trabalho e apoios sociais; bem como questões ligadas à justiça tributária, inovação, dimensão e capitalização das empresas e uma despesa pública que considera ainda elevada.
- Despesa em Defesa: 2% do PIB em 2025
- Oportunidade estratégica: promoção da industrialização e segurança territorial
- Objetivo europeu: reforçar o papel do euro face ao dólar
| Item | Dado |
|---|---|
| Despesa em Defesa (Portugal) | 2% do PIB (2025) |
| Setor bancário | Maior rentabilidade e capitalização em comparação com a situação há 15 anos; Caixa com elevado Tier 1 |
As declarações de Miranda Sarmento articulam prioridades nacionais com um quadro europeu mais vasto, sinalizando a intenção do Executivo de ligar investimentos em segurança a objetivos económicos e monetários. O desafio será, na prática, coordenar políticas industriais, financeiras e orçamentais de forma a tirar partido desse movimento sem comprometer a sustentabilidade das finanças públicas nem agravar as fragilidades estruturais identificadas.
Para que o esforço em defesa se traduza num contributo efetivo para o reforço do euro será também necessária uma convergência de estratégias entre os Estados-membros — um processo que dependerá de decisões políticas a nível europeu e de investimentos direcionados para capacidades tecnológicas e industriais de elevado valor acrescentado.