Em conferência de imprensa realizada no Teatro Jordão, a vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Guimarães, Isabel Ferreira, detalhou a nova visão estratégica que o município pretende implementar na área cultural. A apresentação ocorreu no âmbito da promoção do evento Fest'In Folk Corredoura e procurou justificar as recentes alterações e decisões do executivo relativas à política cultural local.
Ruptura com políticas compartimentadas
Isabel Ferreira afirmou que a prioridade é romper com uma conceção mais compartimentada das artes e promover uma visão integrada, onde convivam manifestações tradicionais e propostas contemporâneas. A autarca defende que a cultura deve abarcar “todas as linguagens artísticas” e que a programação cultural tem de ser transversal: desde o popular até ao erudito, todas as áreas são consideradas essenciais para a identidade do concelho.
“Para mim é natural. É a sociedade a funcionar, é o sistema social a funcionar.”
Ao comentar as reações públicas surgidas nas últimas semanas, a vereadora enquadrou-as como parte do normal funcionamento democrático. “Quando há mudanças, é natural que haja reação. O grande desafio é compreender essa complexidade e perceber porque é que ela acontece”, afirmou, sublinhando a necessidade de diálogo para lidar com as tensões que acompanham processos de transformação.
Enfoque no espaço público e na participação
Entre os eixos anunciados, a valorização do espaço público e a promoção de uma cultura mais participativa surgem como prioridades. A estratégia pretende aproximar a política cultural das comunidades locais, envolvendo instituições, associações, escolas e os próprios cidadãos na construção e implementação de projetos. Segundo a vereadora, a participação e a colaboração são essenciais para consolidar um ecossistema cultural mais inclusivo.
- Espaço público: dar visibilidade a atividades culturais fora dos circuitos institucionais.
- Diversidade artística: integrar expressões tradicionais e contemporâneas.
- Colaboração: envolver entidades locais, escolas e associações na definição de políticas.
Consequências e desafios
As alterações nas linhas de atuação cultural do município implicam um período de adaptação e diálogo com agentes culturais que se têm manifestado publicamente. A aposta numa política transversal abrange uma multiplicidade de agentes com expectativas distintas, o que exigirá mecanismos de participação efetiva e processos de negociação claros por parte do executivo. A vereadora colocou a colaboração como pedra angular desta mudança, apontando para uma gestão cultural que não se limite à programação pontual, mas que fomente redes e práticas sustentáveis.
| Prioridade | Objetivo |
|---|---|
| Espaço público | Levar atividades culturais a locais públicos e comunitários |
| Diversidade | Integrar tradições e contemporaneidade nas ações culturais |
| Participação | Construir políticas em articulação com instituições, escolas e associações |
As declarações da vereadora surgem num momento em que a gestão cultural municipal em várias cidades portuguesas tem sido alvo de debate público. Em Guimarães, a aposta anunciada pretende redefinir prioridades e abrir espaço a novas formas de fruição e criação, mas dependerá da capacidade do executivo para traduzir a retórica em práticas partilhadas e sustentadas pelas estruturas locais.