Sociedade

Hospital de Santa Marta atinge 500 transplantes pulmonares, mas falta de dadores trava expansão

O Hospital de Santa Marta, em Lisboa, ultrapassou as 500 transplantes pulmonares realizados desde o início do programa em 2001, marco que evidencia a consolidação técnica do único centro nacional, enquanto a escassez de dadores continua a limitar o aumento da atividade.

Hospital de Santa Marta atinge 500 transplantes pulmonares, mas falta de dadores trava expansão
©Ilustração IA Nuno Ribeiro / propagandistasocial.com

O Hospital de Santa Marta, em Lisboa, ultrapassou a fasquia das 500 intervenções de transplantação pulmonar desde o arranque do programa, em 2001. O número, recordado pela unidade, é apresentado como sinal da consolidação de uma equipa clínica que manteve um percurso de pioneirismo e renovação ao longo de 25 anos.

Uma trajetória de consolidação técnica

Para o coordenador cirúrgico da Unidade de Transplantação Pulmonar da ULS São José, Paulo Calvinho, este patamar traduz a maturidade do programa iniciado em 2001. O primeiro transplante foi realizado pelo cirurgião Henrique Vaz Velho e o projeto foi posteriormente reorganizado e solidificado por equipas lideradas por José Fragata e pela pneumologista Luísa Semedo, que atualmente co-dirigem a unidade com Paulo Calvinho.

"Representa a maturidade de um programa iniciado em 2001, de forma bastante pioneira, com grande coragem."

Limitações: dadores insuficientes

Apesar do marco simbólico das 500 intervenções, a atividade da unidade mantém-se condicionada pela escassez de dadores. O Hospital de Santa Marta continua a ser o único centro de transplantação pulmonar no país, o que torna a dependência de órgãos disponíveis um fator crítico para a capacidade de resposta e para o tempo de espera dos doentes.

  • 500 é o número total de transplantes pulmonares realizados desde 2001.
  • 2001 marca o início do programa de transplantação pulmonar no Hospital de Santa Marta.
  • A equipa atual inclui nomes históricos da intervenção cirúrgica e da pneumologia que asseguraram a consolidação do serviço.

Consequências e desafios para o sistema de saúde

O facto de existir um único centro especializado coloca desafios logísticos e clínicos: refere-se à gestão das listas de espera, necessidade de referenciação e transporte de dadores e recetores, e à sobrecarga de uma equipa centralizada. A limitação no acesso a órgãos implica que nem todos os doentes elegíveis possam ser transplantados, mantendo pressão sobre cuidados paliativos e terapias de suporte para doentes com insuficiência respiratória avançada.

Indicador Valor
Transplantação pulmonar — total 500
Ano de início do programa 2001
Centros nacionais 1

Do ponto de vista das políticas públicas, o cenário realça a necessidade de estratégias que aumentem a disponibilidade de dadores — através de campanhas de sensibilização, facilitação de processos consentimento e melhoria na deteção e encaminhamento de potenciais dadores nos hospitais — e também a avaliação da potencial descentralização ou reforço da capacidade diagnóstica e cirúrgica noutros centros do país.

O percurso do Hospital de Santa Marta demonstra que a técnica e a organização clínica chegaram a um nível reconhecível, mas o próximo passo dependerá da conjugação entre políticas de dádiva de órgãos, investimento em recursos e continuidade das equipas multidisciplinares para que mais doentes possam beneficiar de transplante pulmonar em Portugal.

Nuno Ribeiro
Nuno IA Jornalista de Sociedade online

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