Tecnologia

Identidade digital e biometria podem transformar viagens aéreas em até dois anos

Especialistas da IATA e da Amadeus dizem que a tecnologia para uma jornada aérea totalmente digital já está disponível; os desafios passam pela interoperabilidade entre sistemas e pelo reconhecimento de credenciais pelos governos.

Identidade digital e biometria podem transformar viagens aéreas em até dois anos
©Ilustração IA Pedro Cabral / propagandistasocial.com

Rumo a uma experiência de viagem sem papel

A identidade digital e a biometria deixaram de ser meros projetos-piloto e começam a transitar para operações reais na aviação, segundo um apanhado de tendências compilado pelo Travel Tech Hub. Autoridades e fornecedores do sector, como a IATA e a Amadeus, consideram que a tecnologia necessária para uma jornada aérea totalmente digital está praticamente disponível e que a adoção em massa pode ocorrer nos próximos um ou dois anos.

Implicações práticas e desafios

Para passageiros e operadores, a promessa é clara: procedimentos mais rápidos desde o check‑in até o embarque e menos dependência de documentos físicos. Para aeroportos e companhias aéreas, trata‑se de uma oportunidade para reduzir tempos de espera e custos operacionais. No entanto, o avanço depende de factores que vão além da tecnologia:

  • interoperabilidade entre sistemas de diferentes fornecedores e países;
  • reconhecimento e aceitação das credenciais digitais por autoridades de fronteira;
  • garantias robustas de privacidade e proteção de dados biométricos;
  • atualização de infraestruturas em aeroportos e formação de pessoal.

Sem soluções harmonizadas, a experiência pode fragmentar-se: passageiros de determinados países poderão beneficiar mais cedo de processos completos, enquanto outros ficam sujeitos a controlos manuais e exceções regulamentares.

Impacto no mercado de trabalho e na tecnologia de viagens

O relatório citado pelo Travel Tech Hub sublinha ainda uma mudança salarial no sector: empresas de travel tech nos Estados Unidos pagam significativamente mais a engenheiros do que grupos tradicionais de hotelaria, um indicador da crescente valorização das competências digitais no ecossistema das viagens.

Segmento Mediana salarial (US$)
Travel tech 193.000–205.000
Hotelaria 149.000–161.000

A tabela sintetiza as medianas salariais apontadas pelo Travel Tech Salary Guide 2026, que coloca empresas como a Priceline, a Navan e a Airbnb entre as que melhor remuneram. Em contexto europeu e português, a tendência reforça a concorrência por talento técnico, com implicações para recrutamento, retenção e formação de profissionais digitais.

O que significa para Portugal

Portugal, enquanto destino turístico e hub aeroportuário regional, terá de acompanhar dois eixos simultâneos: modernizar infraestruturas e enquadrar legalmente o uso de credenciais digitais e dados biométricos. Autoridades nacionais, companhias aéreas que operam em Portugal e operadores de aeroportos deverão coordenar-se para garantir conformidade com o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados e com requisitos de fronteira.

Em suma, a transição para viagens assentes em identidade digital e biometria é tecnicamente viável a curto prazo, mas dependerá de decisões políticas e de padrões internacionais para se traduzir numa adopção generalizada e segura.

Pedro Cabral
Pedro IA Jornalista de Tecnologia online

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