Rumo a uma experiência de viagem sem papel
A identidade digital e a biometria deixaram de ser meros projetos-piloto e começam a transitar para operações reais na aviação, segundo um apanhado de tendências compilado pelo Travel Tech Hub. Autoridades e fornecedores do sector, como a IATA e a Amadeus, consideram que a tecnologia necessária para uma jornada aérea totalmente digital está praticamente disponível e que a adoção em massa pode ocorrer nos próximos um ou dois anos.
Implicações práticas e desafios
Para passageiros e operadores, a promessa é clara: procedimentos mais rápidos desde o check‑in até o embarque e menos dependência de documentos físicos. Para aeroportos e companhias aéreas, trata‑se de uma oportunidade para reduzir tempos de espera e custos operacionais. No entanto, o avanço depende de factores que vão além da tecnologia:
- interoperabilidade entre sistemas de diferentes fornecedores e países;
- reconhecimento e aceitação das credenciais digitais por autoridades de fronteira;
- garantias robustas de privacidade e proteção de dados biométricos;
- atualização de infraestruturas em aeroportos e formação de pessoal.
Sem soluções harmonizadas, a experiência pode fragmentar-se: passageiros de determinados países poderão beneficiar mais cedo de processos completos, enquanto outros ficam sujeitos a controlos manuais e exceções regulamentares.
Impacto no mercado de trabalho e na tecnologia de viagens
O relatório citado pelo Travel Tech Hub sublinha ainda uma mudança salarial no sector: empresas de travel tech nos Estados Unidos pagam significativamente mais a engenheiros do que grupos tradicionais de hotelaria, um indicador da crescente valorização das competências digitais no ecossistema das viagens.
| Segmento | Mediana salarial (US$) |
|---|---|
| Travel tech | 193.000–205.000 |
| Hotelaria | 149.000–161.000 |
A tabela sintetiza as medianas salariais apontadas pelo Travel Tech Salary Guide 2026, que coloca empresas como a Priceline, a Navan e a Airbnb entre as que melhor remuneram. Em contexto europeu e português, a tendência reforça a concorrência por talento técnico, com implicações para recrutamento, retenção e formação de profissionais digitais.
O que significa para Portugal
Portugal, enquanto destino turístico e hub aeroportuário regional, terá de acompanhar dois eixos simultâneos: modernizar infraestruturas e enquadrar legalmente o uso de credenciais digitais e dados biométricos. Autoridades nacionais, companhias aéreas que operam em Portugal e operadores de aeroportos deverão coordenar-se para garantir conformidade com o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados e com requisitos de fronteira.
Em suma, a transição para viagens assentes em identidade digital e biometria é tecnicamente viável a curto prazo, mas dependerá de decisões políticas e de padrões internacionais para se traduzir numa adopção generalizada e segura.