Na Mostra Regional da Banana, realizada na Madalena do Mar, o Grupo Parlamentar do JPP voltou a colocar o foco nas condições económicas dos produtores madeirenses, acusando a empresa GESBA de práticas que, segundo o partido, têm levado a uma forte redução dos rendimentos agrícolas. A intervenção do deputado e vice‑presidente da ALRAM, Rafael Nunes, trouxe à mesa números que, na opinião do JPP, evidenciam um desajuste entre os resultados financeiros da empresa e os pagamentos aos agricultores.
O partido sublinha que a GESBA anunciou, recentemente, um lucro de 1,5 milhões de euros, um valor que entra em choque com os comprovativos de pagamento apresentados pelos produtores, que apontam para preços que não cobrem os custos de produção. Segundo Rafael Nunes, os recibos mostram que, em termos nominais, os pagamentos actuais por quilograma de banana são substancialmente inferiores aos praticados por cooperativas há cerca de vinte anos.
Comparação dos preços ao longo do tempo
| Categoria | Há ~20 anos (€/kg) | Agora (€/kg) |
|---|---|---|
| Banana de primeira | 0,51 | 0,26 |
| Banana de segunda | 0,30 | 0,15 |
| Bagos comercializáveis | — | <0,05 |
O JPP alerta que, mesmo mantendo a comparação em valores nominais, a redução é clara; se se considerar a inflação acumulada e a subida dos custos de vida, a perda real de rendimento dos produtores é ainda mais acentuada. Para o partido, trata‑se de uma questão que ultrapassa a retórica empresarial e exige resposta política e regulatória.
"Lucro à custa de quem?"
Rafael Nunes questionou igualmente a lógica que permite pagamentos inferiores a 5 cêntimos por quilograma a lotes de banana descritos como perfeitamente comercializáveis, classificando tal prática como "manifestamente insuficiente e desrespeitadora para quem produz". O JPP pede esclarecimentos sobre a política de formação de preço seguida pela GESBA e sugere que os resultados financeiros anunciados não têm sido acompanhados por uma política de repartição de valor justa para a base produtora.
Além do impacto imediato nos rendimentos das famílias agrícolas, o assunto tem implicações para a sustentabilidade do sector: produtores com margens reduzidas são menos capazes de investir em modernização, sustentabilidade ambiental e manutenção da capacidade produtiva. O JPP defende que se abra um diálogo tripartido envolvendo produtores, empresas embaladoras e o poder público regional para avaliar mecanismos de regulação de preços, transparência contratual e medidas de apoio que evitem o abandono da atividade.
- Lucro anunciado: 1,5 milhões de euros (GESBA).
- Pagamentos atuais: cerca de metade do que se pagava há ~20 anos em termos nominais.
- Pedido do JPP: esclarecimento sobre política de preços e medidas para proteger produtores.