Decisão do STF não garante viabilidade eleitoral
A libertação de Márcio Canella por despacho do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), não deverá inverter a avaliação de dirigentes partidários sobre a viabilidade da sua candidatura ao Senado. O ex‑prefeito de Belford Roxo foi alvo da 6.ª fase da Operação Unha e Carne, na qual a Polícia Federal encontrou um fuzil de calibre restrito no seu automóvel e o indiciou por posse ilegal de arma.
Segundo a investigação da Polícia Federal, Canella figura como o braço político de um esquema de lavagem de dinheiro em postos de combustíveis na região metropolitana do Rio de Janeiro que teria movimentado R$ 7,6 bilhões. Perante estes factos e o desgaste causado pela detenção, fontes partidárias ouvidas consideram que a sua presença numa chapa majoritária se tornou «inviável», mesmo após a soltura determinada por Moraes.
Medidas cautelares e consequências práticas
Com a liberdade, foram, no entanto, impostas medidas cautelares que limitam a sua mobilidade e capacidades eleitorais. Entre as restrições decretadas estão o uso de tornozeleira eletrónica, a entrega do passaporte e a suspensão do porte de arma. Essas imposições agravam o cenário político para quem pretende disputar uma vaga ao Senado, sobretudo numa campanha que exige deslocações e visibilidade constantes.
| Medida | Impacto eleitoral |
|---|---|
| Uso de tornozeleira eletrónica | Limita mobilidade e imagem pública |
| Entrega do passaporte | Impede viagens internacionais e participação em eventos |
| Suspensão do porte de arma | Afeta defesa pessoal e simbologia em campanhas |
Repercussões nas chapas do PL no Rio
Canella fora do processo eleitoral poderá perturbar a estratégia do PL no estado. O ex‑prefeito tinha sido anunciado por Flávio Bolsonaro como pré‑candidato ao Senado na chapa encabeçada por Douglas Ruas, presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A substituição ou o afastamento do nome acarreta riscos adicionais para a campanha, que já enfrenta outras operações e desgastes.
- Apreensão de armas e munições intensificou o desgaste público;
- Ligação do caso a um esquema financeiro de grande monta (R$ 7,6 bilhões);
- Pressão interna nos partidos para encontrar alternativa nas chapas.
Além de Canella, Flávio Bolsonaro também anunciou outros nomes para compor as candidaturas majoritárias: o ex‑governador Cláudio Castro estava previsto como pré‑candidato à segunda vaga no Senado e o ex‑prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa, como vice de Ruas. A primeira suplente de Canella anunciada era a mãe do senador, a ex‑vereadora Rogéria Bolsonaro.
Quadro político e judicial que persiste
Para dirigentes ouvidos pelo Valor, a conjunção de prisão, termos da investigação e a visibilidade dada pela apreensão de um arsenal no carro do ex‑prefeito tornam difícil que o caso não se traduza numa perda de competitividade eleitoral. Mesmo com a decisão do STF, as consequências práticas — e a perceção pública — colocam obstáculos substanciais à manutenção de Canella na corrida.
O episódio ilustra, mais uma vez, a interseção entre operações policiais de grande escala e a recomposição de chapas eleitorais em ano de pré‑campanhas e listas definidas, com impacto direto nas estratégias de partidos com ambições nacionais e regionais.